O governo brasileiro anuncia a saída da representação diplomática dos interesses da Argentina na Venezuela, encerrando a custódia da embaixada em Caracas que exercia desde setembro de 2025, após divergências com o presidente argentino Javier Milei sobre o processo eleitoral venezuelano e a autonomia do país.
A decisão, comunicada pelo Itamaraty à chancelaria argentina nesta sexta-feira (9), reforça a política externa independente do Brasil sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), priorizando o diálogo regional sem interferências externas, especialmente em meio a protestos globais contra ações dos EUA na Venezuela.
O contexto remonta a julho de 2025, quando a Argentina questionou abertamente a vitória de Nicolás Maduro nas eleições venezuelanas, levando à expulsão mútua de diplomatas. O Brasil, que também não reconheceu o resultado eleitoral, optou por uma abordagem mais neutra, assumindo a custódia da embaixada argentina para proteger opositores refugiados no local, incluindo seis dissidentes venezuelanos.
Milei, alinhado a posições liberais e pró-Ocidente, criticou publicamente a gestão Lula por supostamente “conivente” com Maduro, o que gerou trocas de provocações diplomáticas. Em resposta, o chanceler Mauro Vieira afirmou: “O Brasil defende a soberania dos povos e o não intervencionismo, princípios da nossa Constituição”. A saída da custódia evita escaladas e preserva laços com ambos os países.
Bastidores revelam que a embaixada em Caracas estava cercada por agentes venezuelanos desde dezembro de 2025, com cortes de energia e água, o que complicou a administração brasileira. A vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez revogou unilateralmente a autorização brasileira, acelerando a decisão de Brasília.
Impactos regionais: isso fortalece a multipolaridade sul-americana, com o Brasil mediando conflitos no Mercosul e Unasul revitalizados. Em ano eleitoral, a medida ressoa com a base progressista de Lula, que vê na defesa da Venezuela uma resistência ao imperialismo. No entanto, críticos como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusam o governo de “apoio a ditaduras”.
A transição da custódia ocorre de forma coordenada, com a Argentina buscando alternativas como Peru ou Colômbia para representar seus interesses. Para o Brasil, é uma vitória diplomática que equilibra pragmatismo econômico, com comércio bilateral Argentina-Brasil em US$ 30 bilhões anuais, e princípios de não ingerência.
Fique atento: desdobramentos podem afetar o Mercosul, com Milei ameaçando flexibilizações. O Itamaraty monitora a segurança dos refugiados.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




