Atlas põe Moro acima de 50% e pressiona Ratinho no Paraná

O senador Sergio Moro (PL) apareceu com 51,5% das intenções de voto ao governo do Paraná na pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (2). O número põe pressão direta sobre o governador Ratinho Junior (PSD), que já moveu a máquina, exonerou secretários e abriu o calendário eleitoral, mas segue sem apresentar um nome capaz de enfrentar o ex-juiz no campo governista.

A fotografia da Atlas conversa com a matéria publicada mais cedo pelo Blog do Esmael. Ratinho mexeu no governo, rearrumou peças e deixou no ar a hipótese de apoiar até candidato de outro partido. A pesquisa mostra por que essa conversa ganhou corpo: Moro lidera com folga em todos os cenários testados.

No primeiro quadro, Requião Filho (PDT) tem 28,4%, Rafael Greca (MDB) marca 8,4%, Guto Silva (PSD) fica com 5,6% e Luiz França (Missão), com 2,9%. No cenário em que Alexandre Curi (Republicanos) entra na disputa, Moro sobe para 52,8%, enquanto o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aparece com 9,8%.

No terceiro cenário, com o prefeito Eduardo Pimentel (PSD), a história não muda. Moro registra 52,6%, Requião Filho vai a 28,8%, Greca fica com 7% e Pimentel, com 5%. O dado bruto é este: o bloco de Ratinho segue espalhado, enquanto o senador do Partido Liberal (PL) já ocupa sozinho o centro da disputa.

Quando a Atlas testa os padrinhos, a leitura política fica ainda mais dura para o Palácio Iguaçu. Com apoio de Jair Bolsonaro, Moro vai a 52,1%. Requião Filho, apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chega a 30,6%. Já Guto Silva, apoiado por Ratinho Junior, aparece com 6,1%.

É aí que a pesquisa encosta na sucessão descrita pelo Blog do Esmael. Ratinho ainda não fechou questão dentro de casa, viu Alexandre Curi deixar o PSD, estimulou um canibalismo precoce entre aliados e mantém aberta a porta para uma saída de conveniência. Com Moro acima de 50%, o flerte deixa de ser rumor lateral e vira hipótese de poder.

Ratinho mexe no governo e flerta com Moro
Ratinho mexe no governo e flerta com Moro

A conta política é simples. Se o governador não construir um herdeiro competitivo até a convenção, a tentação de compor com o favorito cresce. Nessa rota, Ratinho preservaria influência sobre a chapa de 2026 e tentaria converter a própria máquina em moeda de negociação no arranjo de direita.

A pesquisa Atlas reforça o flerte do Palácio Iguaçu com Sergio Moro ao mostrar que nenhum nome do bloco governista testado rompe a barreira de dois dígitos. Com a base esfarelada e sem herdeiro competitivo, cresce a suspeita de que Ratinho Junior já trabalha mais para enterrar candidaturas próprias do que para sustentar um nome do seu grupo.

A mesma rodada também embaralha a corrida ao Senado. No consolidado do primeiro e do segundo votos, Deltan Dallagnol (Novo) tem 21%, Filipe Barros (PL) aparece com 18,2% e Gleisi Hoffmann (PT) marca 16,5%. No recorte do primeiro voto, porém, Gleisi lidera com 25,8%, à frente de Barros, com 22,5%, e de Dallagnol, com 18,5%.

Na disputa presidencial, a mesma rodada da AtlasIntel mostra por que o flerte de Ratinho Junior com o campo de Sergio Moro ganha densidade política. No Paraná, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 52% das intenções de voto, contra 33,5% do presidente Lula (PT), o que indica um ambiente eleitoral favorável à direita bolsonarista e ajuda a explicar por que o Palácio Iguaçu mantém aberta a porta para um arranjo com o PL no Estado.

A Atlas ouviu 1.254 eleitores do Paraná entre 25 e 30 de março, por recrutamento digital aleatório, com margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registros PR-00105/2026 e BR-05315/2026.

A pesquisa desta quinta-feira (2) não encerra a sucessão paranaense. Mas ela mostra, com números, o tamanho do problema de Ratinho Junior. O governador colocou o governo em modo eleitoral, só que quem saiu na frente foi Sergio Moro.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Ratinho Júnior filiou Cristina Graeml no PSD e a deixou marchar com Flávio Bolsonaro (PL), mesmo com o partido tendo lançado Ronaldo Caiado à Presidência. Foto: Reprodução/Instagram

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