O embaixador Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, alertou que o Brasil “deve se preparar para o pior” diante da escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio. Em entrevista à GloboNews, ele condenou o assassinato de um chefe de Estado em exercício e apontou risco de “alastramento” regional do conflito.
Amorim foi direto ao criticar a lógica de guerra que atropela regras básicas do sistema internacional. “Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável”, disse, antes de emendar o alerta sobre a necessidade de o país se preparar para cenários mais duros.
O diplomata mencionou que o “pior” pode ser a expansão vertiginosa das tensões para além do eixo central do confronto, com efeito dominó em países onde atuam milícias e grupos armados alinhados a Teerã.
Nos bastidores do Planalto, a preocupação é dupla: a segurança de brasileiros na região e o impacto econômico, sobretudo energia e cadeias logísticas, num contexto em que o Estreito de Ormuz voltou ao centro do risco global. Há registros de fechamento do corredor marítimo em meio à reação iraniana, o que pressiona o preço do petróleo e amplia a instabilidade.
Amorim também sinalizou que pretende conversar por telefone com Lula ainda nesta segunda-feira (2). Interlocutores ouvidos pela GloboNews indicaram que a diplomacia brasileira faz contas sobre como a crise pode interferir na agenda internacional do presidente, incluindo o encontro previsto com o presidente Donald Trump, nos Estados Unidos.
Na noite de sábado (28), o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) divulgou nota pedindo interrupção de ações militares ofensivas e “máxima contenção”, com ênfase em Direito Internacional, proteção de civis e preservação de infraestrutura civil.
O pano de fundo, segundo a leitura internacional predominante em veículos que acompanham o conflito, é a sequência de ataques e retaliações que atingiram diretamente o topo do poder iraniano, incluindo a morte do líder supremo Ali Khamenei, e a multiplicação de alvos na região.
O recado de Amorim, no essencial, é que o Brasil não pode tratar a crise como ruído distante. Quando a diplomacia fala em “se preparar para o pior”, ela está dizendo que a escalada já passou do ponto de advertência retórica e entrou na fase de efeitos concretos sobre vidas, mercado e política internacional.
Portanto, a hora exige sangue-frio e firmeza: defender a paz não é neutralidade frouxa, é compromisso com regra e soberania num mundo em que a força tenta virar atalho.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




