Jair Messias Bolsonaro tenta reorganizar sua narrativa desde o cerco policial, Jorge Messias pode assumir a toga do STF como símbolo de estabilidade e, no Litoral do Paraná, Messias Obama da Silva transforma a tragédia da engorda de Matinhos em oportunidade, vendendo escada para que a burguesia consiga subir o paredão de dois metros criado pela ressaca. Três Messias, três caminhos, três versões de Brasil.
Enquanto Jorge Messias sobe a rampa institucional, Jair Messias Bolsonaro encara a descida rumo à Papuda. Já o terceiro Messias, o Obama da Silva, vive num mundo paralelo onde a política promete obras de 15 anos que duram três verões, e onde cada buraco vira negócio. Ele olha a praia engolida, ajeita o carrinho e oferece a escalada. É o filósofo de chinelo que entende o país melhor que muitos gabinetes.
A obra de R$ 120 milhões voltou ao ponto de partida, como mostraram as medições do JB Litoral: de 101 metros de faixa de areia em 2022 para 46 metros em 2025, praticamente o mesmo antes da engorda. É como se o mar tivesse devolvido a lição: dá para enganar o eleitor, mas não dá para enganar a maré.
E é aqui que Messias Obama da Silva brilha. Ele não apenas sobrevive ao caos, ele interpreta o caos. Seu jeito de olhar o desastre com ironia, rir do que já não tem conserto e transformar o degrau da ressaca em mercadoria o torna uma figura macunaímica, no sentido mais profundo que Mário de Andrade deu ao termo. Não é moralismo, é adaptação. Não é cinismo, é sobrevivência tropical.

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, também fazia do improviso uma estética. Messias Obama faz o mesmo: não governa, não legisla, não decide, apenas existe, e, ao existir, revela o país. Enquanto o Estado remexe areia de um canto a outro da praia por mais R$ 1,6 milhão e o IAT tenta negar o óbvio sem apresentar medidas, ele resume tudo numa frase, numa gargalhada, numa escada.
Se Jorge Messias representa o Brasil institucional, e Jair Messias o Brasil conflagrado, Messias Obama da Silva representa o Brasil real. Aquele que aprende a viver entre a incompetência das obras públicas e a força inevitável da natureza. Aquele que ri para não chorar. Aquele que sobe, desce, improvisa e, quando o mar leva a praia embora, agradece pelo aumento da clientela.
No fim, o mar edita a crônica, a areia desaparece como dinheiro público em ano eleitoral, e Matinhos prova que algumas obras nascem mortas. Entre os três Messias, apenas o macunaímico enxerga a verdade óbvia: não há engenharia que derrote a ressaca, mas sempre haverá quem precise de uma escada para lidar com o prejuízo.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




