Morreu neste sábado (13) o compositor e multi-instrumentista Hermeto Pascoal, aos 89 anos. Conhecido como “bruxo da música”, o alagoano revolucionou a música instrumental no Brasil e no mundo com sua mistura de sons populares, jazz e improviso livre.
Nascido em Lagoa da Canoa (AL), em 1936, Hermeto venceu três Latin Grammys e levou a música brasileira para os maiores palcos internacionais. Autodidata, aprendeu acordeão, piano, flauta e sax, mas também transformava em som objetos do cotidiano e até ruídos da natureza. Seu projeto mais ousado, o Calendário do Som, trouxe uma composição inédita para cada dia do ano.
Durante seis décadas, colaborou com nomes como Airto Moreira, Elis Regina, Miles Davis e Grupo Som 3. O álbum “Hermeto”, de 1970, marcou sua projeção internacional e consolidou sua reputação de gênio criativo.
O artista seguia ativo até os últimos anos, sempre compondo, gravando e se apresentando. Em 2024, lançou o disco Pra Você, Ilza, homenagem à sua companheira, reafirmando sua vitalidade musical. A notícia de sua morte causou comoção entre músicos e fãs, que lembram sua generosidade e insistência em democratizar a música, oferecendo oficinas gratuitas e incentivando jovens talentos.
Hermeto Pascoal deixa uma lacuna irreparável, mas também um legado imortal. Sua obra mostra que a música brasileira é universal e que a invenção pode ser popular. Reverenciar sua arte é celebrar a liberdade criativa e a diversidade cultural.
O adeus a Hermeto Pascoal é também um chamado para que o Brasil valorize mais seus artistas vivos e mantenha viva a ousadia de sua música. Que sua obra siga iluminando as próximas gerações.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




