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EUA enviam navios de guerra à Venezuela em ameaça a Maduro

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Estados Unidos confirmaram o envio de três destróieres equipados com mísseis guiados à costa da Venezuela nesta semana. A movimentação militar foi acompanhada de declaração da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, de que o governo de Donald Trump (Partido Republicano) usará “toda a força” contra o presidente Nicolás Maduro (PSUV).

caribe“>Escalada no Caribe

Segundo a agência Reuters, além dos destróieres Aegis, Washington mobilizou cerca de 4 mil fuzileiros e marinheiros para operações conjuntas no Caribe e no Atlântico Sul. A justificativa oficial é combater cartéis de drogas latino-americanos classificados como organizações terroristas, entre eles o grupo venezuelano Tren de Aragua.

Em paralelo, o governo dos EUA dobrou a recompensa pela captura de Maduro: de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões. Washington acusa o chavista de liderar um “narcocartel” que ameaça a segurança nacional americana.

Resposta de Caracas

Em discurso transmitido pela TV estatal, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos para a “defesa integral” do território venezuelano. O líder bolivariano classificou a medida dos EUA como “renovação das ameaças imperialistas”.

Além da retórica militar, Caracas acusou Washington de manter 66 crianças venezuelanas “sequestradas” após deportações forçadas. Camila Fabri, presidente do plano governamental Volta à Pátria, denunciou uma “política cruel e desumana” e exigiu a repatriação dos menores.

Silêncio relativo da mídia internacional

Apesar do peso geopolítico, a cobertura do episódio variou. Folha de S.Paulo, Reuters, AP e El País detalharam a escalada. Mas parte da imprensa dos EUA e da Europa tratou a movimentação como extensão da política antidrogas de Trump, sem grande destaque no noticiário.

Essa assimetria midiática reforça a leitura de que a América Latina ocupa posição periférica na agenda ocidental, mesmo quando está em jogo um risco de conflito militar direto.

china-e-russia”>Papel de China e Rússia

Aliados estratégicos da Venezuela no eixo Sul-Sul Global, China e Rússia sinalizam apoio político. Moscou já forneceu bilhões em armas, realizou exercícios navais no Caribe e tem histórico de confrontar Washington na região. Pequim, por sua vez, prioriza cooperação econômica e tecnológica, mas evita o confronto militar direto.

Na prática, ambos devem limitar-se a solidariedade diplomática e gestos simbólicos. A Venezuela segue sendo peça-chave no tabuleiro geopolítico que contrapõe EUA ao eixo emergente formado por Moscou, Pequim e aliados.

Dourtina Monroe

O envio de navios de guerra por Trump reabre o fantasma da intervenção no Caribe, remete à Doutrina Monroe e coloca em xeque a estabilidade regional. A retórica de “narcoterrorismo” serve mais para justificar ação bélica do que para combater drogas. A aposta em força militar tende a agravar a crise venezuelana e a reforçar a dependência de Maduro de aliados externos.

Leia mais análises sobre geopolítica e bastidores do poder no Blog do Esmael.

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