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FAB interveio em deportação e libertou brasileiros de algemas, diz governo Lula

Um episódio marcante de soberania e direitos humanos mobilizou o governo brasileiro neste fim de semana. Na madrugada de sábado (25), 88 brasileiros deportados dos Estados Unidos chegaram a Manaus algemados e com os pés acorrentados, em um voo que expôs tensões diplomáticas e violações de princípios constitucionais. A resposta imediata de Brasília, porém, transformou o desrespeito em ação humanitária.

O voo, que decolou dos EUA com destino a Belo Horizonte, enfrentou problemas técnicos no ar-condicionado e precisou pousar de emergência em Manaus na noite de sexta (24). As autoridades americanas mantinham os deportados algemados — prática que viola protocolos brasileiros. A Polícia Federal (PF), ao receber os cidadãos, ordenou a remoção imediata das correntes, garantindo acesso a alimentos, colchões e banheiros no aeroporto.

Imagens revelaram o momento em que os brasileiros, ao serem informados que seguiriam para Minas Gerais em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) sem algemas, aplaudiram e entoaram o hino nacional.

O presidente Lula foi acionado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que classificou o caso como “flagrante desrespeito aos direitos fundamentais. Em menos de 24 horas, uma aeronave KC-30 da FAB foi mobilizada para transportar os deportados de Manaus a Confins, com acompanhamento de profissionais de saúde e segurança federal.

Em nota, o Ministério da Justiça ressaltou que “a dignidade da pessoa humana é princípio basilar da Constituição” — posição reforçada por Lewandowski ao proibir novas detenções por agentes estrangeiros em solo brasileiro.

O voo ocorre sob a sombra do retorno de Donald Trump à presidência dos EUA, marcado por decretos anti-imigração e operações massivas. Apesar disso, as deportações deste grupo seguem um acordo bilateral de 2017, firmado no governo Temer, e não estão diretamente ligadas às novas políticas de Trump.

Um dado intrigante: entre 2021 e 2024, o governo Biden deportou mais brasileiros (7.168) que seus antecessores, incluindo o primeiro mandato de Trump. A gestão democrata, no entanto, não utilizava algemas em voos de repatriação.

Apesar da atuação ágil da PF e da FAB, até o fechamento desta matéria, o Itamaraty não emitiu nenhum protesto formal contra as condições impostas pelos EUA. A ausência de uma nota diplomática direta contrasta com a firmeza interna do governo Lula, que tratou o caso como questão de soberania.

A postura reflete a complexidade das relações bilaterais, já que o acordo de deportações ainda é considerado estratégico pelo Brasil.

No entanto, a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), utilizou as redes sociais para fazer duras críticas ao presidente americano Donald Trump. Ela mostrou-se indignada e disse que os EUA não mandam no território brasileiro, ao comentar a determinação de Lula para a retirada de algemas e correntes.

A operação em Manaus revela um cenário desafiador:

  1. Crescimento das deportações: Só em 2024, 17 voos trouxeram mais de 2.100 brasileiros.
  2. Risco de escalada: Trump prometeu a “maior campanha de deportação da história” — incluindo detenções preventivas e uso de tropas na fronteira com o México.
  3. Direitos humanos em xeque: A PF já investiga se as algemas foram aplicadas por “protocolo de segurança” ou arbitrariedade.

Para o cidadão comum, a mensagem é clara: o Brasil não tolerará violações à dignidade de seus nacionais, mesmo em contextos migratórios delicados. A rapidez na mobilização da FAB e o discurso constitucional de Lewandowski sinalizam que, em solo brasileiro, a corrente que se quebra é a do silêncio.

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