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O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra são celebrados nesta sexta-feira, 25 de julho, como marcos de resistência, protagonismo e luta por justiça racial e de gênero.
A data internacional foi instituída em 1992, no 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado na República Dominicana, com representantes de mais de 30 países. Desde então, tornou-se símbolo de articulação continental contra o racismo, o sexismo e a invisibilidade histórica das mulheres negras.
No Brasil, a homenagem tem nome e trajetória: Tereza de Benguela, mulher negra quilombola que, no século XVIII, liderou por mais de 20 anos o Quilombo do Quariterê, no atual Mato Grosso. Comandou sistemas de defesa, comércio, organização política e resistência contra o regime escravista — unindo negros e indígenas sob uma estrutura autônoma de poder.
O que representa essa data no Brasil?
A Lei nº 12.987/2014 oficializou no país o 25 de julho como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, reforçando o reconhecimento à trajetória das mulheres negras na história do Brasil e suas lutas atuais por equidade, dignidade e políticas reparatórias.
Mas a realidade segue alarmante: dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que 62% das vítimas de feminicídio no país são mulheres negras. Elas também concentram os maiores índices de desemprego, os menores salários e enfrentam barreiras estruturais no acesso à saúde e à educação.
Representatividade importa
A data também impulsiona ações afirmativas, cultura e debate político. Um exemplo é o Festival Latinidades, maior encontro de mulheres negras da América Latina, que ocorre anualmente desde 2008 em Brasília, com painéis, shows, oficinas e manifestações culturais.
Organizações como o Instituto Geledés, a Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) e o Movimento Negro Unificado (MNU) também promovem ações neste 25 de julho para ampliar a visibilidade e pressionar por avanços estruturais.
Tereza vive: o que aprendemos com seu legado?
Relembrar Tereza de Benguela é também perguntar: quem são as Terezas de hoje? Mulheres que enfrentam violência doméstica, abandono estatal, racismo institucional, e, ainda assim, constroem caminhos de liderança nas comunidades, universidades, parlamentos e movimentos populares.
Este 25 de julho é convite à reflexão e à ação. Não basta celebrar. É preciso ouvir, garantir espaço e implementar políticas públicas que façam jus à luta histórica das mulheres negras brasileiras e latino-americanas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




