Greve dos professores desafia governador da “Calcinha Apertada” em São Paulo

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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), conhecido como “Calcinha Apertada“, está sendo desafiado pelo segundo dia de greve dos professores. Eles se recusaram retornar às aulas presenciais porque ainda não foram vacinados e temem a infecção pela covid-19.

Segundo a APEOESP, o sindicato dos professores de SP, o primeiro dia da greve sanitária pela vida, apesar do violento assédio moral e pressões do secretário da Educação e do governador tucano, contou com a adesão de 15% dos professores em todo o estado, além da parcela que já realiza trabalho remoto por pertencerem ao grupo de risco em função da idade e comorbidades, cujo número exato não conhecemos. O movimento deve crescer a partir desta terça-feira (09/02), avalia a entidade, considerando que este primeiro dia teve um caráter organizativo.

“No primeiro dia de greve evidenciou também a baixíssima presença de estudantes, em torno de 5%, muito abaixo do percentual de 30% pretendido pelo governo. Isto mostra que a sociedade está
consciente dos riscos da reabertura das escolas neste contexto de grave pandemia e demonstra que o diálogo que a APEOESP vem realizando obteve resultados. Atendendo nosso apelo para que não
enviem seus filhos às escolas nesta situação, pais e mães se recusou a colocar seus filhos e suas famílias em risco”, diz um comunicado da entidade do magistério paulista.

Segundo a APEOESP, a comunidade compreende a necessidade de preservação da vida e sabe que as escolas públicas estaduais não estão preparadas.

Ainda assim, sem estudantes, o sindicato afirma que a cada momento recebe novas notificações de casos de Covid-19. “Até o momento de fechamento deste Boletim, num universo de 96 escolas das quais tivemos informações, já são 209 casos confirmados, entre eles internações, intubações e também óbitos.”

O próprio governo do “Calcinha Apertada” reconheceu a fundamentação dos nossos argumentos ao determinar o fechamento de sete escolas nesta segunda-feira (8/02), de acordo com reportagem do jornal Agora.

A APEOESP solicitou às subsedes que continuem comunicando para imprensa@apeoesp.org.br e por outros meios todos os casos de Covid-19 que vem ocorrendo nas unidades e, também, todas as situações em que a escola necessitou ser fechada.

Além do ambiente escolar sem estrutura adequada para o protocolo sanitário, sem ventilação, sem funcionários para limpeza, com álcool em gel vencido, EPI em número insuficiente
e merenda seca, o deslocamento para as escolas, e transportes públicos lotados também propiciam o contágio.

A APEOESP reafirma ainda a orientação aos professores para que não compareçam ao trabalho presencial nas escolas, protocolem o requerimento para que façam contado com seus alunos, realizem as aulas remotas, fazendo todos os registros exigidos para que as aulas sejam válidas.

“Vamos continuar nossa luta, porque a preservação da vida está acima de tudo”, diz o sindicato, a despeito de Doria.

Professores reafirmam greve contra volta às aulas presenciais sem vacinação no Paraná

Os educadores reafirmaram na última sexta-feira (05/02) que não voltarão às aulas pelo sistema presencial ou híbrido sem a vacinação em massa. O governo do Paraná anunciou o retorno para o dia 18 de fevereiro. No entanto, professores e funcionários de 2,1 mil escolas apontam risco de um novo surto. Diante do impasse, o magistério vai deflagrar greve por tempo indeterminado em defesa da vida.

O Paraná é um dos estados que menos recebeu doses de vacina na região Sul e, contraditoriamente, a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), que pode votar uma lei obrigando os educadores a darem aulas presenciais, irão manter as sessões virtuais com medo da infecção pelo vírus. Ou seja, os parlamentares cogitam empurrar para a morte milhares de educadores, pais e familiares que sabidamente são do grupo de risco.

Na noite desta quinta-feira (04/02), a APP-Sindicato, juntamente com estudantes, pais e mães e responsáveis, debateu o retorno das atividades presenciais a partir do modelo híbrido apresentado pelo governador Ratinho Junior (PSD). No encontro que reuniu mais de 200 pessoas de forma virtual, os participantes enfatizaram a preocupação com o retorno das aulas presenciais, principalmente por conta da atual situação da pandemia causada pelo Covid-19 no Paraná.

A reunião convocada pelo Sindicato, em parceria com a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) e a Federação de Pais, Mães ou Responsáveis Legais de Alunos e Alunas das Escolas Públicas do Estado do Paraná (FEPAMEF-PR), dialogou com os presentes sobre os ataques do governador Ratinho. Foi apresentada também a resolução Nº 0098/2021, a qual estabelece o retorno das atividades presenciais com modelo híbrido e medidas de prevenção e monitoramento da COVID-19 em unidades educacionais públicas e privadas no Estado.

O presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão, solicitou o apoio de pais, mães, responsáveis e estudantes na luta pela pauta e destacou que não é o momento de retorno das atividades presenciais e essa medida irresponsável de Ratinho Junior pode colocar a vida e a saúde de muitos pais, estudantes e educadores. “O retorno das aulas apresenta um risco para a comunidade escolar e não condiz com a atual realidade do estado, que sofre com a pandemia de forma intensa. Não podemos ameaçar a vida dos nossos estudantes e familiares nessa proposta nefasta”.

Taís Carvalho, presidenta da Upes, enfatiza ainda que os estudantes querem sim o retorno das atividades presenciais, mas desde que este seja feito após a vacinação da população, garantindo assim a segurança dos familiares, professores e funcionários de escola. “O retorno às aulas não é só voltar à escola. Tem muitas outras situações que implicam riscos para todos. Um exemplo é o Enem deste ano, onde presenciamos aglomerações, irresponsabilidade e erros por parte do MEC. Isso é só uma representação de como os governos vêm tratando a educação”, explica a estudante.

Já Terezinha Maciel, mãe e representante da FEPAMEF-PR, aponta que mesmo que os protocolos sejam aplicados dentro das escolas, existe ainda o risco fora das unidades, já que estudantes estão expostos a pegar transporte ou gerar aglomerações. “Vai haver aglomeração nos terminais rodoviários, vai haver aglomeração em ônibus. Nossos jovens não estão preparados para enfrentar esta pandemia cruel e que tem ceifado vidas de milhares de pessoas. Não podemos terceirizar esta responsabilidade para os pais, o governo deve ter a responsabilidade de gerenciar esse retorno com segurança”.

A partir da reunião, a APP-Sindicato manterá sua mobilização contra o retorno das atividades presenciais, além de recorrer no Ministério Público do Paraná (MP-PR) e no Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) contra a medida. O Sindicato solicita ainda que pais e responsáveis auxiliem os educadores visitando as unidades de ensino e denunciando as condições das escolas públicas.