Tarcísio dribla beijo da morte de Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria a Jair Bolsonaro na Papudinha porque entendeu que o encontro produziria mais prejuízo do que dividendos políticos. A decisão foi fria, racional e tomada a partir de um cálculo elementar de poder.

A visita estava autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, com horário definido. Ainda assim, Tarcísio avisou aliados de que não iria. O recuo foi confirmado por auxiliares influentes do Palácio dos Bandeirantes, sem esforço para criar narrativa pública.

Bolsonaro deixou de transferir votos

No núcleo duro do governo paulista, não há dúvida. Bolsonaro deixou de ser cabo eleitoral e passou a ser passivo político. Preso, condenado e com agenda judicial dominante, o ex-presidente perdeu a capacidade de agregar fora da militância mais radical.

Para qualquer liderança que pretenda disputar o centro político em 2026, a associação direta a Bolsonaro hoje significa ampliar rejeição, fechar portas institucionais e encurtar alianças. Tarcísio não ignora esse dado.

Projeto próprio exige descolamento

Tarcísio trabalha para manter viável um projeto nacional ou, no mínimo, preservar-se como ator competitivo no pós-bolsonarismo. Isso exige distanciamento progressivo, ainda que sem ruptura explícita, do líder que hegemonizou a direita na última década.

Visitar Bolsonaro na prisão produziria uma imagem incontornável. Não seria gesto de lealdade, mas de subordinação política. E subordinação é exatamente o que Tarcísio tenta evitar neste momento.

A Papudinha virou teste de dependência

Desde que Bolsonaro passou a cumprir pena na Papudinha, o local se transformou em uma espécie de prova pública. Quem vai, se amarra. Quem evita, sinaliza autonomia.

O cancelamento da visita coloca Tarcísio no segundo grupo. Não por coragem moral ou cálculo alegórico, mas porque a realidade política se impôs. Bolsonaro já não organiza o jogo. Apenas o contamina.

Saúde não muda o cenário

Aliados do ex-presidente insistem no discurso da prisão domiciliar por razões médicas. Isso pode sensibilizar apoiadores, mas não altera o fato central. O problema de Bolsonaro, para a elite política, não é humanitário. É eleitoral, institucional e jurídico.

Política sem fantasia

Não houve silêncio eloquente, mensagem cifrada ou gesto teatral. Houve uma decisão prática. Tarcísio avaliou os riscos, mediu o desgaste e concluiu que aparecer ao lado de Bolsonaro hoje compromete mais do que ajuda.

Na política real, quem está em queda puxa junto. Tarcísio entendeu isso a tempo.

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