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O Paraná abriu 8.483 vagas com carteira assinada em junho de 2026, mais que a soma dos resultados revisados de abril e maio. O avanço interrompeu dois meses de forte desaceleração, mas ainda ficou abaixo do ritmo registrado no primeiro trimestre.
Os números constam na apresentação oficial do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta quarta-feira (29).
Foram 167.080 admissões e 158.597 desligamentos no estado durante junho. O saldo colocou o Paraná na quinta posição nacional no mês, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.
Junho interrompe desaceleração do emprego
A série revisada pelo MTE mostra 17.957 vagas em janeiro, 22.683 em fevereiro e 15.837 em março. O resultado caiu para 1.695 em abril e 2.983 em maio, antes de subir para 8.483 em junho.
A revisão importa porque o Caged recebe declarações entregues depois do prazo. A matéria anterior do Blog do Esmael registrou 1.734 vagas em abril e 2.210 em maio, números disponíveis na divulgação precedente. Com os ajustes incorporados em julho, o acumulado até maio passou de 60.400 para 61.155 postos.
No primeiro semestre, o Paraná alcançou 69.638 empregos formais, resultado de 1.087.154 contratações e 1.017.516 desligamentos. O estado terminou o período com o terceiro maior saldo do país, atrás de São Paulo, com 252.558, e Minas Gerais, com 108.977.
A variação do estoque de trabalhadores formais no Paraná foi de 2,16% no semestre. Santa Catarina teve crescimento proporcional de 2,45%, embora tenha registrado saldo absoluto menor, de 63.169 vagas.
Salário de admissão sobe, mas fica abaixo da média
O salário médio real de admissão no Paraná subiu de R$ 2.328,96 em maio para R$ 2.348,86 em junho. O ganho mensal foi de 0,85%, já descontada a inflação. Em relação a junho de 2025, o aumento real chegou a 1,35%.
O valor paranaense continuou abaixo da média nacional de R$ 2.404,34. Esse confronto limita o uso eleitoral do saldo bruto: gerar vagas importa, mas remuneração, duração do vínculo e rotatividade definem quanto o resultado chega à vida do trabalhador.
No Brasil, foram abertas 145.161 vagas em junho, após 2.220.131 admissões e 2.074.970 desligamentos. Os cinco grandes setores fecharam o mês no azul: serviços criaram 74.514 postos; agropecuária, 22.898; comércio, 19.177; indústria, 14.438; e construção, 14.136.
Caged não atribui vagas a um governante
O semestre nacional acumulou 921.645 empregos formais. O resultado ficou 25% abaixo do registrado no mesmo período de 2025 e foi o menor primeiro semestre desde 2020. O dado combina recuperação mensal em junho com perda de velocidade na comparação anual.
O novo resultado permite afirmar que o emprego paranaense voltou a acelerar no mês, mas não autoriza transformar o Caged em troféu exclusivo do governador Ratinho Junior (PSD), do presidente Lula (PT) ou de uma campanha estadual.
O Caged não mede qual governante “criou” individualmente cada vaga. Ele registra admissões, desligamentos e estoque de vínculos formais declarados pelos empregadores. A atualização municipal detalhada deverá ser incorporada quando a tabela consolidada permitir separar Curitiba e os principais municípios sem misturar dados revisados com números sujeitos a ajuste.
Nota de atualização: esta versão substitui os números de abril e maio pelos valores revisados pelo Ministério do Trabalho e Emprego e deve ser consolidada na URL já publicada.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




