É preciso ter clareza e coragem para dizer o que está acontecendo diante dos nossos olhos. Donald Trump acaba de sequestrar um chefe de Estado estrangeiro. Não se trata de defender Nicolás Maduro ou seu governo, que, como bem lembrou o presidente Lula, possui viés autoritário e graves problemas internos, a serem resolvidos pelo próprio povo venezuelano.

O ponto central é outro. Trump cruzou uma linha sem volta. Ao ordenar o bombardeio de Caracas e a captura de um presidente latino-americano como se fosse um troféu de caça, ele não age como líder democrático, mas como um Ditador Mundial, armado, transtornado e perigoso.
A posição do presidente Lula foi cirúrgica e necessária. O que ocorreu é uma afronta gravíssima à soberania de toda a região. Ao não personalizar a defesa em Maduro, Lula acerta ao focar no princípio fundamental. Hoje sequestram o vizinho sob o pretexto de combate às drogas ou defesa da democracia. Amanhã farão o mesmo com qualquer país que ouse dizer não a Washington.
E qual é o verdadeiro interesse por trás disso. O próprio Trump deixa claro em sua retórica delirante, ao acusar a Venezuela de ter “roubado nosso petróleo”. A verdade é simples e brutal. Incapaz de competir civilizadamente com a China e desesperado com o declínio dos Estados Unidos, Trump aposta na força bruta. Seu projeto é anexar a América, transformando nossas nações em colônias de extração, onde o direito internacional dá lugar à lei do mais forte.
E onde estão os “patriotas” brasileiros agora.
Aqui se revela a podridão moral da direita brasileira. Políticos e governadores que vivem falando em liberdade estão, neste exato momento, aplaudindo um sequestro internacional. São vassalos, que vibram com a violência contra um vizinho sul-americano. Não defendem a democracia, até porque defendem os golpistas de 08 de janeiro. O que defendem é a submissão. Para essa gente, o Brasil não deve ser um país soberano, mas um capataz obediente a serviço do saque do continente.
Trump rasgou a Carta da ONU e também a Constituição americana, que exige autorização especial do Congresso para ações militares contra outro Estado. Agora, ameaça a vice-presidente venezuelana e qualquer um que ouse resistir. Apoiá-lo não é combater o socialismo. É apoiar a barbárie.
O Brasil de Lula, felizmente, tem estatura política e moral para liderar uma resposta firme na ONU. Não aceitaremos a diplomacia do sequestro. A América do Sul não é o quintal de um bilionário falido moralmente. Ou nos levantamos agora contra esse precedente monstruoso, ou seremos os próximos a usar a coleira.

Ex-deputado federal, secretário-geral do PT-PR.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Blog do Esmael.



