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Lula vence no IR enquanto Tarcísio enfrenta mortes por metanol

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorava em Brasília a aprovação da isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, um alívio direto para 15 milhões de trabalhadores, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lida com uma crise sanitária no coração de seu estado: a explosão de casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas, com mortes já confirmadas.

O contraste é brutal. Lula capitaliza no Congresso uma vitória histórica no campo tributário, ao passo que Tarcísio, cotado como presidenciável em 2026, enfrenta cobranças pela falta de fiscalização em bares, festas e pontos de venda em São Paulo, que concentra a esmagadora maioria das ocorrências.

De acordo com o Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional), já foram notificadas 43 intoxicações por metanol no país: 39 em São Paulo, com 10 casos confirmados, 29 em investigação e um óbito, e 4 em Pernambuco. Outros sete óbitos ainda estão em apuração, cinco em SP e dois no Nordeste.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo federal já distribuiu protocolos de atendimento e que o país dispõe do antídoto, o etanol farmacêutico. “É muito importante ampliar as notificações e seguir o guia de diagnóstico e tratamento. Essa é uma emergência que precisa de vigilância permanente”, alertou.

Os sintomas de intoxicação surgem entre 12h e 24h após a ingestão, muitas vezes confundidos com ressaca. Incluem dor abdominal, visão turva, confusão mental e náusea. A recomendação é procurar imediatamente atendimento no SUS e relatar o contexto do consumo.

Do ponto de vista político, a cena é clara: Lula distribui dividendos sociais e reforça a narrativa de justiça tributária, enquanto Tarcísio convive com manchetes de tragédia em seu estado. A vigilância sanitária paulista, sob responsabilidade direta do governo estadual, é pressionada a agir, mas a lentidão e a falta de controle expõem fragilidades de uma gestão que se pretende modelo de eficiência.

A crise do metanol, além disso, estourou justamente quando Tarcísio buscava retomar a articulação em defesa da anistia a Jair Bolsonaro (PL), seu padrinho político, e em meio ao choque pelo assassinato do delegado Ruy Ferraz Fontes, atribuído ao PCC. Assim, saúde e segurança pública se somaram para desgastar a imagem do governador, ampliando a percepção de descontrole em São Paulo.

Com as eleições de 2026 no horizonte, a disputa de narrativas já começou: de um lado, um presidente que fala em justiça social; do outro, um governador que precisa explicar como bebidas adulteradas continuam a matar em São Paulo.

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