A Folha de S.Paulo não comprou a promessa de Gilberto Kassab de lançar candidato ao Planalto. Em editorial, o jornalão aponta sinais de blefe e lembra que o PSD repetiu o roteiro em 2022, prometeu candidatura própria e recuou. Nos bastidores, o Blog do Esmael já vinha registrando o mesmo diagnóstico.
O texto da Folha observa que Kassab vende a ideia de um presidenciável que não atacará Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição. A ressalva soa improvável. Um candidato competitivo de centro-direita sem confronto direto com o incumbente tende a perder fôlego antes mesmo da largada.
O editorial lembra que o PSD já ensaiou o movimento na eleição passada e desistiu. Kassab ampliou opções, diz a Folha, mas não entregou decisão. O partido existe para ocupar todos os cantos da arena política, governar com lados distintos e maximizar poder no Congresso.
Essa leitura converge com o que o Blog do Esmael apura há meses. Kassab não tem histórico de bancar candidatura presidencial. No último encontro com Lula, em Brasília, o presidente nacional do PSD teria sido explícito ao priorizar Senado e Câmara, onde o partido cresce com menos risco.
A entrada de Ronaldo Caiado ao PSD reabriu especulações, ao lado de Ratinho Júnior e Eduardo Leite. A Folha nota o trio como aspirantes potenciais. O Blog do Esmael vai além: eles parecem confortáveis demais para uma campanha presidencial. O gesto político aponta para o Senado.
Desincompatibilização, calendário apertado e risco de isolamento nacional pesam. Uma aposta presidencial exigiria confronto duro com Lula, algo que Kassab promete evitar. A conta não fecha.
O editorial também destaca o incômodo que o movimento causa a Jair Bolsonaro, que tenta empurrar Flávio Bolsonaro como nome único da oposição. Kassab responde com condicionais e levanta a hipótese de Tarcísio de Freitas (Republicanos) apenas para manter o jogo aberto.
Na prática, o PSD preserva portas com lulistas e antilulistas, enquanto acumula força legislativa. O blefe mantém todos atentos, sem pagar o preço de uma decisão.
A Folha conclui que a cartada decisiva pode ser mais um recuo. O horizonte clareia com a desincompatibilização, mas o padrão é conhecido. Kassab acena para todos os lados, como sempre.
Kassab joga como Kassab, crava a Folha. Ou seja, o discurso presidencial serve para barganha e proteção do partido. A evidência aponta para uma estratégia congressual, com governadores convertendo capital político em cadeiras no Senado. A eleição majoritária fica como moeda de troca. A conferir.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




