60 anos da imigração católica coreana no Brasil

A imigração católica agrícola coreana no Brasil completou 60 anos com celebrações realizadas no Paraná. A Comunidade Católica Coreana de Curitiba promoveu, nos dias 17 e 18 de janeiro, eventos que resgataram fé, trabalho e identidade, pilares de uma trajetória iniciada em 1966.

A data marcou mais que um aniversário. Representou a consolidação de uma história de superação que ajudou a formar comunidades, educar gerações e aprofundar os laços culturais entre Brasil e Coreia do Sul.

Celebrações em Curitiba

As homenagens ocorreram no Clube Concórdia e na Catedral Metropolitana de Curitiba, reunindo descendentes dos imigrantes, lideranças comunitárias, autoridades e fiéis.

Para Myong Jae Han, líder da Comunidade Católica Coreana de Curitiba, os 60 anos da imigração foram uma oportunidade de preservar a memória e transmitir a origem às novas gerações, além de agradecer a Deus e ao povo brasileiro pela acolhida e pelo apoio ao longo das décadas.

No sábado, 17 de janeiro, o encontro no Clube Concórdia contou com jantar típico, exposição de fotos históricas e a presença de convidados. Os painéis exibiram imagens da travessia marítima, da instalação na Fazenda Santa Maria, recortes de jornais da época e marcos da colônia, compondo um arquivo visual da imigração.

No domingo, 18 de janeiro, a programação teve caráter religioso. O bispo auxiliar de Curitiba, Dom Adenis Roberto de Oliveira, celebrou uma missa bilíngue em ação de graças na Catedral Metropolitana de Curitiba.

A jornada dos pioneiros

A história começou em 17 de novembro de 1965, quando 53 famílias católicas coreanas partiram do Porto de Busan rumo ao Brasil. A chegada ao Rio de Janeiro ocorreu em 9 de janeiro de 1966, com apoio do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário, do Itamaraty e de organismos da Igreja Católica brasileira.

No Paraná, os imigrantes desembarcaram em Paranaguá em 12 de janeiro de 1966 e seguiram de trem por Castro e Ponta Grossa até Tibagi, onde ergueram a Fazenda Santa Maria.

As primeiras décadas foram marcadas por trabalho intenso. Casas de madeira foram construídas manualmente, a terra foi preparada para o cultivo de arroz e batata e granjas garantiram a sobrevivência inicial. Disciplina, coletividade, perseverança e ética no trabalho impulsionaram o desenvolvimento da colônia.

A educação teve papel central. Jovens percorriam cerca de 35 quilômetros diariamente para estudar, superando barreiras linguísticas e culturais. Muitos se formaram em áreas como medicina, direito e engenharia, migrando do campo para as cidades.

Cultura e legado no Paraná

O investimento em educação refletiu-se no florescimento da cultura coreana no Brasil. O Paraná passou a atrair grandes empresas sul-coreanas, como a LG, além de sediar festivais de cinema e gastronomia.

Fenômenos globais como K-pop, K-drama e K-beauty ganharam espaço, ampliando o intercâmbio cultural iniciado pelos pioneiros agrícolas.

Memória que permaneceu

Ao completar 60 anos, a imigração católica agrícola coreana reafirmou seu papel na formação social, cultural e econômica do Paraná. Preservar essa memória significou reconhecer a contribuição dos imigrantes para o desenvolvimento do estado e do Brasil.

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