Um ano de golpe, 30 anos de atraso

Há um ano, a Câmara votava de forma “espetacular” — num domingo — a admissibilidade do golpe contra o Brasil e os trabalhadores.

Dilma Rousseff (PT) era apenas a encarnação de um projeto que oscilava entre concessões à classe laboral e à banca financeira.

Sem dó nem piedade, invocando a “moralidade” e a luta contra a “corrupção”, os parlamentares golpistas derrubaram a presidente eleita e colocaram de joelhos a democracia brasileira.

Façamos um parêntese aqui para falar da “maldição do impeachment”. Nos últimos meses, a maioria dos deputados que se exibiam na TV em nome da “família” e de “Deus” foram delatados por executivos da Odebrecht. Estima-se uns 200 enrolados entre propina e caixa 2.

Em apenas um ano desde o início do golpe de Estado, já se pode contabilizar ao menos 30 anos de retrocessos para o povo em todas as áreas.

A aprovação da PEC 241 ou 55 foi apenas o começo de um pesadelo que parece não ter fim. (Muitos vão preferir contabilizar o 1º ano do golpe em 31 de agosto, quando efetivamente Dilma foi impichada).

Voltemos à PEC. Esse episódio representou o início de 20 anos de congelamento de investimentos na saúde e na educação, a despeito de a população tender a aumentar nesse período.

Nesse período de um ano, embora o governo ilegítimo de Michel Temer ainda não tenha completado um ano, ou seja, em apenas 10 meses, os trabalhadores e a sociedade tiveram várias perdas. A começar com a redução do número de mulheres nas atividades no comando do governo federal.

Ao contínuo, o golpe, frise-se novamente, em menos de um ano, produziu o maior número de desempregados que o país já viu antes: 13 milhões; tentou cobrar mensalidade nas universidades públicas; privatizou o pré-sal; beneficiou o Itaú com a renúncia de R$ 25 bilhões de impostos no Carf; aprofundou a corrupção; decretou-se o fim das Farmácias Populares; tenta aprovar o fim da aposentadoria e a precarização da mão de obra (escrava); terceirizou o trabalho; enfraquece-se os sindicatos; etc.

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O diabo é que isso tudo vai piorar muito mais, se não houver uma efetiva mobilização. A oportunidade para uma reviravolta é a greve geral no próximo dia 28 de abril, quando os trabalhadores poderão encurralar os golpistas representados pelo governo ilegítimo de Temer.

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