Terceira via em crise tenta se desvincular de Bolsonaro, mas não consegue aos olhos dos eleitores

Terceira via em crise tenta se desvincular de Bolsonaro, mas não consegue aos olhos dos eleitores

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi eleito em 2018 sob o slogan “BolsoDoria” enquanto o ex-juiz suspeito Sergio Moro (Podemos), além de prender seu adversário, Lula, ganhou como paga o cargo de ministro da Justiça no governo de extrema direita Jair Bolsonaro (PL). É nesse contexto que se formou o bolsonarismo e essa etiqueta grudou na terceira via.

Em crise, a terceira vialicença poética da velha mídia corporativa— busca se desvincular de Bolsonaro. Mas isso não tem sido fácil. Os eleitores têm mostrado memória de elefante para essa questão, dizem as pesquisas qualitativas encomendadas nos últimos dias.

O jornal Folha de S.Paulo, nesta segunda-feira (06/12), verbaliza a preocupação da burguesia paulistana que habita a Avenida Faria Lima. “Terceira via tenta se ‘desbolsonarizar’, mas esbarra em entraves regionais”, constatou o jornalão, que torce por Moro.

A publicação fala em expurgos nos partidos que têm apoiadores de Bolsonaro, citando PSL, PSDB, MDB, Cidadania, PSD e Podemos.

De acordo com a Folha, no PSDB a ala identificada como mais próxima ao bolsonarismo é liderada pelo deputado Aécio Neves (MG). Os tucanos escolheram Doria como pré-candidato a presidente nas eleições de 2022.

A velha mídia planeja uma terceira via bolsonaristas, mas sem Bolsonaro. Por isso os jornalões capricham no verbo “desbolsonarizar”. Trata-se de manter o atual estado de coisas, mudar o nome, para assegurar os privilégios do capital em detrimento do trabalho.

O trabalho da velha mídia é para “michelizar” Bolsonaro por meio da rejeição.

Além da luta pela desbolsonarização [michelização], há também, do outro lado, a briga dos apoiadores do presidente da República pela ampliação da bolsonarização. Como resultado desse confronto, verifica-se nos estados, a divisão dos palanques da direita.

É crasso o caso político do Paraná.

As candidaturas de Moro e Bolsonaro fizeram emergir a liderança do ex-presidente Lula no estado e coloca o ex-governador Roberto Requião (sem partido) no páreo. A disputa nas terras das araucárias está abertíssima.

Para sobreviver à tempestade que se avizinha, alquimistas e luas-pretas articulam palanque duplo –e sonham com [até] palanque triplo– para o governador Ratinho Junior (PSD). Ou seja, projetam ‘pés largos’ para o filho do apresentador Ratinho com o objetivo de sustentá-lo com pé em cada canoa. Há quem acredite que pode dar ruim para o moço. A conferir.

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