21 de dezembro de 2015
por Esmael Morais
19 Comentários

Ex-deputado foi demitido por espancar ex-mulher. Richa deveria renunciar pelo massacre de 213 professoras?

O governador Beto Richa (PSDB) foi rápido no gatilho ontem (20) ao demitir o diretor da Cohapar, ex-deputado Osmar Bertoldi (DEM), após repercussão da violência contra sua ex-mulher Tatiana Bittencourt. O tucano tomou a decisão com medo de que o entrevero também atingisse sua “imagem”.

Richa deveria utilizar a mesma métrica consigo mesmo para penitenciar-se pelos pecados do dia 29 de abril, quando 213 professoras foram covardemente massacradas no Centro Cívico. Ou seja, o governador do PSDB poderia aproveitar a reflexão de fim de ano e pedir para sair.

O governador jura que não teve outra opção a não surrar os “black blocs” que lutavam contra o confisco da ParanáPrevidência. Bertoldi, demitido por Richa, também se diz vítima de “armação” da ex-mulher que tenta extorquir-lhe R$ 1,7 milhão.

Osmar Bertoldi é suplente do deputado federal pela coligação que reelegeu Richa (PSDB-DEM-PR-PSC-PTdoB-PP-SD-PSD-PPS). No início de 2015, ele assumiu a cadeira na Câmara, entre fevereiro e maio, com a licença de Fernando Francischini (SD), que no período foi secretário da Segurança Pública.

A seguir, leia a íntegra da nota de esclarecimento de Osmar Bertoldi:

“Aos Familiares, Amigos e Eleitores.

Em razão da publicidade que vem sendo dada às inverídicas acusações feitas por Tatiane Lucia Selhorst Bittencourt, venho a público esclarecer que, em 15 de agosto de 2015, houve efetivamente um lamentável desentendimento. Ambos tivemos ferimentos e acabei sofrendo lesões nos braços, rosto e dentes, inclusive tendo me submetido a exames e lavrado laudo de corpo de delito. Tal desentendimento foi motivado pela discordância sobre o regime de casamento.

É inverídica a afirmação de que Tatiane foi mantida em cárcere privado, eis que permaneceu em minha residência por livre e espontânea vontade, pelo tempo que quis ficar. Tinha as chaves da casa e controle do portão, acesso a telefones, ligando para familiares e amigos, internet, inclusive com postagens em redes sociais e recebeu visita de três amigas. Em suma, teve vida normal durante todo o tempo.

Após deixar a minha residência Tatiane, para não tornar público o fato, passou a exigir a quantia de aproximadamente R$1,7 milhão, mediante documento protocolado em cartório. Tudo isso vem sendo investigado pela Polícia Civil.

Por não receber os valores exigidos, quatro meses após os Leia mais

20 de dezembro de 2015
por Esmael Morais
13 Comentários

Beto Richa demite ex-deputado procurado pela Justiça

O governador Beto Richa (PSDB), por meio da presidência da Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná), demitiu o ex-deputado Osmar Bertoldi (DEM) de uma diretoria do órgão.

Segundo informações preliminares, o diretor da Cohapar foi exonerado do cargo por “quebra de confiança”, depois que ele teve a prisão decretada por espancar a ex-mulher (clique aqui para assistir reportagem da TV Record).

A exoneração do ex-deputado será publicada nesta segunda-feira (21).

O juiz Rodrigo Simões Palma, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Curitiba, decretou prisão domiciliar de Bertoldi, que está foragido há 20 dias.

Osmar Bertoldi é suplente do deputado federal pela coligação que reelegeu Richa  (PSDB-DEM-PR-PSC-PTdoB-PP-SD-PSD-PPS). No início de 2015, ele assumiu a cadeira na Câmara, entre fevereiro e maio, com a licença de Fernando Francischini (SD), que no período foi secretário da Segurança Pública.

Leia mais

9 de novembro de 2015
por Esmael Morais
18 Comentários

Coluna da Gleisi Hoffmann: É por Dilma, pela mulher, pela dignidade feminina

Gleisi Hoffmann*

Download

Mais uma vez, a presidenta Dilma foi agredida e desrespeitada em sua condição de mulher. Uma ação grosseira, com uma tatuagem ofensiva à dignidade feminina, tal qual o adesivo machista para tanque de gasolina feito meses atrás.

Esse ataque a Dilma não tem nada de crítica política, protesto oposicionista, liberdade de expressão. É crime e ofende a todas nós, mulheres, independente de posição política. É a representação mais bruta, grotesca e animalesca que se pode ter: a ação masculina sob forma de violência sexual, acontecendo bem diante de nossos olhos.

Estamos em pleno 2015 e assistimos a ações impensadas contra as mulheres. A Câmara dos Deputados quer retroceder em direitos conquistados, com discurso falso moralista, de ataque a questões de gênero, além de vermos sistematicamente deputados agredindo suas colegas de mandato.

O Enem deu um passo importantíssimo no debate a violência contra a mulher ao colocá-la como tema de sua redação. Sete milhões de jovens pensaram e escreveram sobre isso. Tivemos reações críticas inimagináveis, alegando-se direcionamento ideológico por parte do MEC. É como se a violência contra a mulher não fosse fato real e corriqueiro em nossa sociedade. Sobrou até para Simone de Beauvoir.

Como não ficar triste ao relembrar centenas, milhares de casos de violência sexual e física seguida de morte de mulheres, muitas meninas, sem solução. Essa permissividade de parte da sociedade brasileira com a violência contra a presidenta é responsável também pela impunidade nos casos de homicídios, feminicídios agora, contra nossa população feminina.

Só no Paraná, nosso Estado, terceiro no ranking da violência contra a mulher, sobram casos não esclarecidos e não punidos contra nossas meninas. São os casos de Raquel, Tayná, Giovana, Elisabeth, Cecília, Alessandra, Julia… Sem contar os casos contra as mulheres jovens e adultas, principalmente aqueles que pretendem se esconder atrás de motivos ditos passionais, que graças à legislação mais moderna que temos hoje no Brasil, não prosperam.

Os homicídios, feminicídios agora, por “amor”, ciúme, “posse”… A maioria está vegetando em gavetas de delegacias, promotorias, juizados. O que podemos fazer em relação a isso? Não cabem as forças tarefas, tão utilizadas pelo Ministério Público, Polícia, para apurar casos de outras áreas. Recebem até nomes glamourosos e criativos. Por que não fazem isso em relação as nossas meninas, as nossas mulheres?!

Infelizmente, a cultura do estupro, da violência contra a mulher, da pedofilia, do machismo, está entranhada em nossa sociedade. Os homens, mesmo os que não são opressores, estão sentados em cima de privilégios históricos e sociais que os deixam, num primeiro momento, cegos para as injustiças que as mulheres sofrem todos os dias.

Precisamos lutar contra isso! Contra a cultura da agressão sexual, contra a cultura de qualquer agressão. Se nos calamos diante dos ataques e desrespeito à mulher que preside o nosso país, com certeza não teremos força, como está acontecendo, para cobrar punição a todos os outros casos. A solidariedade aqui é #peladignidadefeminina.

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Bl Leia mais