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20 de dezembro de 2015
por esmael
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Luiz Manfredini: A democracia como centro da tática dos progressistas

Luiz Manfredini*

O que está em jogo, na atual crise política brasileira, não é apenas a sorte do governo, do principal partido que o sustenta ou desta ou daquela liderança. Está em jogo a própria democracia. Porque o golpismo que norteia a direita mais extremada, desde que não se conformou com a derrota em outubro último, implica propostas não apenas conservadoras, mas amplamente restritivas dos direitos humanos e da democracia política, econômica e social. Propostas fundadas num brutal retrocesso civilizatório, na intolerância e no preconceito. Um regime do poder absoluto do capital em sua feição mais dura, ou seja, bem mais excludente e perversa do que o habitual.

Para a esquerda e as demais forças democráticas e progressistas, portanto, o essencial, o irrenunciável, o que une a todos na atual (e dramática) circunstância política é a defesa da democracia. É o centro da tática, para usar uma expressão própria da política. E a defesa da democracia significa, neste momento, precisamente a defesa da inviolabilidade do mandato presidencial. Isto não implica, como pensam alguns, aceitar e defender todas as medidas do governo. Daí porque a defesa da legalidade é capaz de atrair certos setores conservadores, que sequer apoiam as propostas governamentais, mas não sendo golpistas, não caem na falácia do “impeachment” e em outras condutas de desestabilização política.

Não é apenas possível, como necessário, que a esquerda, as forças democráticos e progressistas e ainda o conjunto do movimento social a um só tempo defendam o mandado da presidente Dilma e façam a crítica de uma série de medidas, no âmbito do ajuste fiscal, que violam direitos fundamentais dos trabalhadores. É preciso vincar a idéia de que o ajuste, naquilo que for imprescindível, seja pago principalmente pelas elites que detém o grande poder econômico e as polpudas fortunas, tradicionalmente menos exigidas. Ou mesmo uma alteração de rumo econômico, como pedem a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, e mais três instituições, em documento lançado na última terça-feira, em São Paulo, e como vem insistindo o PCdoB

Reside nessa articulação entre apoio e crítica a dificuldade que enfrentam de certos setores. Quando se afirma que o centro da tática é a defesa da democracia, isto significa que tal bandeira subordina as demais. Po