7 de outubro de 2014
por Esmael Morais
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Embate de 2!º turno: Dividir o Brasil em certo! e errado! faz sentido?

do Brasil 247
Os dois líderes mais emblemáticos de PT e PSDB, ex-presidentes Lula e Fernando Henrique, já deixaram correr, nos tempos do governo do primeiro, a conjectura de que, um dia, no futuro, os dois partidos poderiam se fundir num só. Eram tempos em que, a partir da base do plano Real de FHC e com o impulso de taxas mais altas de crescimento obtidas na gestão Lula, os petistas estavam em alta e os tucanos se debatiam contra a síndrome de se tornarem uma legenda de expressão apenas regional. O assunto ganhou certo corpo em conversas entre parlamentares no Congresso, mas, como se sabe, nunca prosperou.

Naqueles debates informais, o argumento que unia os contrários era o de que não havia diferenças de fundo ideológico entre os dois partidos, mas sim uma distinção de acento sobre os compromissos de cada um deles sobre a necessidade igualmente reconhecida de mudar o Brasil. Nem PT nem PSDB, afinal, haviam nascido para fazer a chamada revolução brasileira. A intenção de ambos, declarada em todos os momentos de suas respectivas histórias, seria de reformar o País.

Agora, a moda é a de apontar o PT como o partido do Brasil pobre e atraso e o PSDB como a legenda identificada com a parte mais rica e inteligente da Nação. Na abertura deste segundo turno da eleição presidencial, Fernando Henrique tornou-se o principal porta-voz desta tese, ao difundir, em entrevista, a ideia de que o voto petista sai do cidadão menos informado e de menor renda (leia mais aqui). Os tucanos, por essa ótica, deteriam o voto mais consciente do brasileiro que conseguiu tomar o elevador da ascensão social e se estabelecer nos andares mais altos.

Dessa diferença de localização na pirâmide social para o estabelecimento de um renovado Fla X Flu ideológico a distância vai se mostrando bem menor do que a que existia na fase em que os caciques deixavam a correr soltas as chances de uma fusão partidária.

Registre-se: nada pode ser pior para os dois partidos do que a imposição dessa lógica de distinção absoluta entre eles. A prevalecer, ela irá somar para que as diferenças programáticas entre eles virem abismos de visão de País. Na prática, acirra as contradições a ponto de impedir que um time reconheça as qualidades do outro, focando apenas nos defeitos alheios. O trabalho de um corresponderá ao boicote do outro.

Divisionismo

Levada para as ruas, essa divisão entre um partido do bem e outro do mal, uma legenda dos ricos e outra dos pobres, uma agremiação que defende os interesses do Sul e do Sudeste e outra que representa o Nordeste e o Norte vai apenas contribuir para um racha definitivo na sociedade brasileira, como chegou a propor um colunista social pró-Aécio, nas redes sociais (leia Leia mais