24 de setembro de 2015
por admin
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João Arruda: Respeitem o Campagnolo!

João Arruda*

O exercício da democracia pressupõe o respeito ao contraditório, ou seja: todo cidadão tem o direito de dizer quando não concorda com alguma coisa. É dessa forma que eu analiso o discurso do presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, ao tomar posse para um novo mandato à frente da entidade.

Entre outras observações, Campagnolo criticou o pacotaço do governo Beto Richa (PSDB) e os salários dos deputados estaduais. Como já fez, anteriormente, ao condenar as altas tarifas do pedágio. O empresário recebe, agora, ataques duros dos aliados do governador, talvez porque os áulicos do Palácio Iguaçu não estejam afeitos ao contraditório nem a entidades livres, desvinculadas da máquina do estado.

O governo Beto Richa parece se ressentir disso, da independência de algumas lideranças do setor produtivo, uma vez que já perdeu completamente o apoio dos trabalhadores, especialmente depois da repressão aos professores no fatídico 29 de abril, um episódio que entrou para a história da infâmia do Paraná.

No fim de seu discurso, o presidente da Fiep sugeriu o impeachment da presidente Dilma Roussef. Discordo dele, até porque não há base legal para o afastamento da presidente. Aliás, não defendo nem o impeachment do atual governador, sobre o qual recaem suspeitas de um esquema de caixa 2 via Receita Estadual. O ponto é: Campagnolo tem direito de dizer o que pensa.

Discordar pontualmente do empresário não significa que eu vá cercear seu direito de se expressar, o que a forte reação palaciana tenta fazer. Uma discussão de alto nível não precisa ser tão agressiva assim. No debate sobre a elevação do teto do Simples, por exemplo, tivemos divergências, mas o empresário jamais me impediu de emitir o meu juízo de valor a seus colegas de Fiep. É disso que se trata: democracia.

Podemos discutir se o tom do presidente da Fiep foi adequado. Verdade. Da mesma forma, também é possível chamar de indelicado quem mente sobre a situação financeira do estado, quem tira dinheiro de prefeituras em plena crise econômica, quem ousa propor a venda da Copel e da Sanepar para cobrir rombo nas contas públicas.

O fato é que Campagnolo foi corajoso. Poderia ter contemporizado para agradar a todos. Preferiu a sinceridade. E ela, como sabemos, dói.

*João Arruda é deputado federal pelo PMDB e coordena a bancada federal do Paraná. 

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