11 de março de 2015
por Esmael Morais
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De Almeida César para Francischini: achei que estivesse falando de seu chefe, o governador Beto Richa!

O delegado da Polícia Federal, Reinado de Almeida César, ex-secretário de Segurança do Paraná no primeiro mandato do governador Beto Richa (PSDB), escreveu na semana passada um artigo especialmente para o Blog do Esmael, intitulado O Caveirão do Chorume!, sobre o episódio da entrada dos deputados governistas na Assembleia Legislativa dentro de um veículo blindado chamado caveirão!.

O atual secretário, Fernando Francischini, que orquestrou o episódio do caveirão para tentar garantir a votação mesmo com a Assembleia tomada, sentiu-se ofendido e partiu para o! ataque! no Twitter contra Almeida César.

“Escovinha no cabelo e bolsinha Lui Vitton, pode! Pro cara que a maior experiência dele foi carregar a mala do Sarney criticar e fácil! rsrs”, tuitou Francischini na semana passada.

Em resposta, o ex-secretário enviou uma mensagem ao Blog do Esmael com algumas recomendações e comparações que publicamos a seguir. achei que ele estivesse falando de seu chefe, o governador, sabidamente um homem cioso de sua imagem!, fuzilou o delegado Almeida César. Abaixo, leia a íntegra da tréplica.

Como paranaense, fico preocupado.

Alguns requisitos são fundamentais para quem comanda a pasta da Segurança e, por conseguinte, as forças de polícia. O equilíbrio, a temperança e o espírito democrático para saber conviver com a divergência, certamente estão entre eles.

Não quero polemizar com o atual secretário de segurança, Fernando Destito Francischini, que parece não ter entendido o artigo que escrevi sobre a desastrada operação de enfurnar jovens deputadas e experientes deputados num Caveirão.

No artigo, faço até uma certa defesa do secretário, ao lançar dúvida sobre quem teria sido o autor da patética ideia.

Mas, depois, ao ler o texto chulo e destemperado do atual secretário, postado no twitter, fiquei com a certeza que ele tem dificuldades de compreender o vernáculo pátrio e, mais ainda, com línguas faladas no exterior.

Não quero polemizar, mas, vamos à  verdade factual:

1) Quando comecei a ler o texto agressivo e virulento do secretário no twitter, achei que ele estivesse falando de seu chefe, o governador, sabidamente um homem cioso de sua imagem, sempre com o cabelo bem cortado e que cultiva o hábito da elegância no vestir, sempre adornado com roupas, gravatas, cintos, sapatos e relógios das mais caras grifes internacionais, mesmo quando visita rincões de pobreza por este Paraná afora.

2) Trabalhei em várias missões externas, sempre por delegação do Diretor-Geral da PF. Assim, trabalhei no gabinete de segurança da presidência da República (Lula, PT), coordenei a segurança do candidato Geraldo Alckmin (PSDB), fui diretor de segurança do Superior Tribunal de Justiça e trabalhei na segurança da presidência do Senado, na gestão de QUATRO presidentes: Leia mais

6 de março de 2015
por Esmael Morais
48 Comentários

Coluna do Reinaldo de Almeida César: “O Caveirão do Chorume”

Reinaldo de Almeida César* (interino)

Tivesse acontecido no Rio, o GLOBO daria em manchete que deputados chegaram no Caveirão. à‰ assim que o veículo é conhecido por lá. Agora, se houve frouxos intestinais em uma de suas excelências na chegada à  Assembleia por aqui, já é outra estória. Ficou para o folclore político nativo.

Não consigo aceitar a tese de que o uso do camburão foi ideia do secretário Francischini.

O secretário é um policial experimentado. Foi tenente da PM, Agente e Delegado da PF. Tem pleno conhecimento que qualquer manual raso, básico mesmo, define as restritas hipóteses de emprego de veículo de transporte de tropas especiais.

O secretário Francischini sabe como poucos manejar as ferramentas do marketing pessoal. Em menos de uma década de vida pública, tornou-se fonte qualificada de jornalistas e até publicou um livro sobre possíveis façanhas de sua carreira policial. Ele é um self made man na política local. Difícil achar no cenário político do Paraná quem tenha melhor senso de oportunidade da notícia.

O uso do Camburāo seria um enorme risco de imagem para o secretário e para os passageiros daquela insensatez.

Deu no que deu. A imagem dos deputados saindo do Camburão ainda custará muito aos nobres parlamentares.

Acho que alguém deve ter vendido a doença para vender o remédio. Pintaram aos ilustres deputados um quadro de terror, o povo ensandecido cortaria cabeças e promoveria empalamentos à  luz do dia, em plena praça.

Por outro lado, se desse tudo certo na viagem do Camburão, os ilustres deputados ficariam devendo favores para todo sempre ao patrono da medida, que, além disso, faturaria na mídia. Beleza. O problema é que tinha tudo para dar errado. E deu. Alguém apontou a alça e a massa de mira para o próprio pé. E, dedo leve, acionou o gatilho.

Só quem é da lide democrática, com militância no movimento estudantil, sindical ou social, sabe que há emoção, dinâmica e evolução em movimentos de massa. O Camburão acirrou os ânimos, jogou gasolina na fogueira.

à‰ sofrível ver as imagens do secretário Francischini tomando um safanão na porta do Camburão. O peso dos anos é cruel para todos nós. O secretário visivelmente fora de forma, trôpego, cambaleante, tentando se livrar, correndo para se esconder atrás do cordão policial, para só então, depois e recomposto, aparecer valente ordenando o caminho aos deputados. Parecia um General Radamés, à s avessas, em versão bufa.

Não foi boa orientação colocar o secretário no plano tático, conduzindo no local uma operação daquela natureza. Melhor seria o secretário ter coordenado o gabinete de crise, próximo ao perímetro, nas cercanias do teatro de operações, recebendo informações, prospectando e avaliando cenários, tomando decisões, aconselhando o governador. Isto é absolutamente imprescindível para preservar a autoridade e manter íntegro o comando.

A presença e proatividade do secretário em hora e local errado teve um custo alto. Experimente colocar “FRANCISCHINI DANà‡OU” no Google ou Youtube. Pode escolher a versão que lhe apetecer, de valsa a funk, passando por um secretário milongueiro, bailando tango.

O secretário sempre sonhou em titularizar a pasta da Segurança. Lutou por isso, da forma como poucos fariam. A temerária operação Camburāo/Caveirão poderia colocar em risco sua permanência no cargo, algo que lhe é tão caro. Afinal de contas, secretário de Segurança, em momentos de crise, é como fusível elétrico. Sacrifica-se para não se perder o todo. Fleury demitiu do cargo de secretário de Segurança, em São Paulo, seu melhor amigo, Pedro Franco de Campos, para se safar do desgaste do Carandiru. àlvaro Dias não teve o mesmo pragmatismo, apiedou-se e manteve Antonio Lopes de Noronha na SESP.

Fleury terminou o governo e se elegeu deputado federal, com grande votação. àlvaro levou mais de uma década para ser novamente vitorioso nas urnas e até hoje, passados trinta anos, o fato ocorrido em seu governo ainda tem recall negativo junto aos professores.

Não consigo, então, conceber ter sido ideia do secretário Francischini esta sandice de colocar deputados no Camburão e tomar a dianteira das ações.

Acho mesmo que alguém, na antevéspera do Carnaval vestiu a fantasia de Erasmo Dias e assim decidiu. São os mistérios insondáveis do governo.

Para saciar nossa curiosidade, algum dia nós saberemos de fato o que ocorreu. Nada, absolutamente nada, fica encoberto para sempre em matéria de governo nas cercanias do Centro Cívico e do São Lourenço. Pode demorar um pouco, mas algum dia Leia mais