21 de julho de 2015
por Esmael Morais
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Richa ‘abandona na estrada’ pacientes do interior que buscam atendimento médico na Grande Curitiba

Uma mensagem enviada ao Blog do Esmael por um indignado morador do interior denuncia o sofrimento de muitos paranaenses que não conseguem acesso pleno à saúde pública – um direito consagrado na Constituição Federal.

O leitor que reside no município de Terra Rica, região Noroeste, enfrenta quase dez horas de estrada para ir a Campo Largo, região metropolitana de Curitiba, fazer um exame de ressonância magnética no Hospital Nossa Senhora do Rocio. O percurso é de 540 km. Essa realidade se repete todos os dias para outros paranaenses de outras regiões do estado.

Uma das propostas da campanha pela reeleição do governador Beto Richa (PSDB) envolvia o uso de helicópteros para transporte de pacientes pelo estado, o GRAER (Grupamento Aeropolicial e Resgate Aéreo).

O diabo é que esse programa foi utilizado como peça de marketing para justificar o fechamento de vários hospitais regionais. Os eleitores do tucano acreditaram que cruzariam os céus em busca de atendimento médio. Ledo engano. Enfrentam hoje os perigos das estradas e ainda têm que pagar o pedágio mais caro do mundo.

Entre idas e vindas, o programa GRAER não pode ser considerado universal, pois não atende a todos e o serviço é focado apenas em acidentes rodoviários.

A dificuldade de atendimento em diversas especialidades médicas no interior faz com que centenas de pessoas viagem para Curitiba, por exemplo, em busca de atendimento de média e alta complexidade. Basta andar pela região do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR) e prestar atenção nas placas das ambulâncias e vans que vêm do estado inteiro, cheias de doentes.

Para completar o problema, uma parte dos servidores do HC está em greve e isto faz com que muitos pacientes acabem perdendo a viagem e atrasando os tratamentos.

Junte-se a isso a inoperância do Serviço de Assistência aos Servidores (SAS), que não funciona em diversos locais em razão dos frequentes atrasos de pagamento às instituições credenciadas, e, em virtude disso, as filas no SUS só crescem.

Agora, mesmo que funcionasse, o transporte de pacientes por helicópteros só faz sentido em casos de emergência. Parece lógico que seria mais fácil se o governo investisse em centros de especialidades nas regiões para evitar as perigosas e caras viagens nas vans e ambulâncias adquiridas com o dinheiro do confisco da poupança previdenciária.

Ou seja, o transporte de doentes do interior para a capital se transformou numa verdadeira máquina de conquistar votos para prefeitos e deputados ligados a Beto Richa. Ao custo do massacre dos professores no último dia 29 de abril.

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