11 de abril de 2016
por Esmael Morais
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Coluna da Gleisi Hoffmann: Funeral de um lavrador sem terra

Gleisi Hoffmann*

Neste final de semana foi a música de Chico que ficou comigo enquanto estive na manifestação dos sem-terra em Quedas do Iguaçu, no interior do Paraná.

“Não é cova grande, é cova medida, é a terra que querias ver dividida… É a conta menor que tiraste em vida… É a parte que te cabe deste latifúndio…”

Duas vidas, duas histórias, dois homens enterrados com seus sonhos e centenas de famílias assustadas, convivendo com a dor, também com o preconceito e intolerância.

Muitos comentários na imprensa do Paraná, nas redes sociais, no meu facebook sobre os sem-terra, qualificando-os de vagabundos, violentos, bandidos.

Olhava para aquelas pessoas sofridas, pobres, homens e mulheres de vida muito simples e difícil, que sonham e querem viver com dignidade com suas famílias, e pensava: onde está a violência, a não ser da pobreza?! Onde estão os vagabundos, com mãos lisas, peles macias, sem marcas de sol?! Bandidos com foices e enxadas, que cortam lenha e lavram a terra? Só quem nunca pisou em um acampamento pode achar que essas famílias são agressoras da ordem. Mais de um ano vivendo em barracos de costaneiras, enfrentando o frio, chuva, o calor dia e noite; fazendo lavoura sem condições adequadas para tirar seu sustento.

A terra ocupada era usada pela empresa de reflorestamento Araupel. Quando a área estava na iminência de ser ocupada a empresa me procurou. Acompanhei-os ao MDA e INCRA. Penso que se a terra cumpre sua função social de produzir não deve ser objeto de reforma agrária. Leia mais