6 de maio de 2015
por Esmael Morais
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Coluna do Reinaldo Almeida César: Após massacre de professores, secretário tem que deixar a Segurança Pública para preservar governo Richa

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Reinaldo Almeida César*

Não adianta, podem falar o que quiser, não vai colar.

Pode o governo se contorcer, pedir ajuda ao Cirque du Soleil, fazer cambalhotas.

Foi MASSACRE. TRAGÉDIA. VERGONHA. Ponto final.

Vamos parar com esses eufemismos, que mais parecem achados em loja de 1,99.

Não teve nada de confronto, manipulação da oposição, black blocs, policiais parados salvando a própria vida, cumprimento de ordem judicial.

Chega até mesmo dessa conversa mole de “uso desproporcional da força”.

Isso é termo técnico, insípido. Agride ainda mais quem já apanhou. O que houve foi “uso descomunal da força”, isso sim.

Durante mais de duas horas, houve centenas de disparos com munição de borracha e visada à meia altura, emprego de Pitbulls, bombas explodindo por todo canto e lançadas a esmo nas mais variadas direções, jatos d’água, helicóptero com voo rasante e despejando artefatos, professores caídos no chão dominados, apanhando. Mais de 200 feridos, muitos gravemente. Dizem estar vazio o paiol da PM. Querem mais?

Só não foi ainda pior, porque Nossa Senhora de la Salette estendeu seu manto de proteção para que não houvesse vítimas fatais.

Agora, quem quiser comprar a versão oficial, dada pela SESP quase uma semana após os fatos, fique à vontade. Sempre haverá notas de 3 dólares circulando.

Prefiro ficar com as informações isentas dadas pela Defensoria Pública e pela OAB que foram taxativas em afirmar o que todo mundo já suspeitava: nenhum, absolutamente nenhum dos detidos no dia do massacre foi identificado como black bloc.

Desculpem-me a presunção, mas eu já tinha certeza disso. Vou explicar o porquê.

A atual gestão da SESP é altamente midiática, toda pimpona, beira o histrionismo.

Este formato marqueteiro da SESP já estava caindo pelas tabelas, beirando o ridículo, pelas indignas apresentações de presos e por entrevistas televisivas com arma na cintura.

Ora, tivessem os policiais botado a mão em black blocs, alguém duvida que eles seriam execrados no mesmo dia, mostrados acorrentados como bichos à opinião pública e usados como antídoto para a enxurrada de críticas que se avistava?

E alguém tem dúvidas sobre quem estaria na linha de frente apresentando os black blocs algemados para os refletores e câmeras de TV? Leia mais