22 de julho de 2015
por Esmael Morais
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Coluna do Reinaldo de Almeida César: Pela punição dos ladrões da educação ‘doa a quem doer’

Reinaldo de Almeida César*

A Polícia Civil teve um momento histórico de afirmação, ontem, ao deflagrar a “Operação Quadro Negro”, tocada pelo NURCE – Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos, dirigido pelo competente delegado Renato Figueroa.

Ao conduzir a investigação e representar por mandados de prisão e de busca e apreensão em desfavor de pessoas de reconhecido relacionamento com poderosos, a Polícia Civil deu um passo importante para se consolidar institucionalmente, afastando-se da imagem de corporação que seria controlada pelo Executivo.

Processo assemelhado, com outras proporções é evidente, passa a PF nos seus últimos vinte anos, toda vez que mostra altivez e independência na apuração de infrações penais, mesmo que no ambiente delitivo apareçam personagens de notório poder.

São incontáveis os casos em que a PF já derrubou, por investigação isenta, figuras de relevo no mundo político e empresarial.

O resultado disso foi que a PF passou a receber, cada vez mais, manifestações de apoio e de credibilidade na opinião pública, formando assim seu maior patrimônio, o moral.

Aliás, em ótima e recente entrevista ao ESTADÃO, o Diretor-Geral da PF, delegado Leandro Daiello Coimbra, cunhou uma frase muito correta, ao dizer que a Polícia Federal investiga “doa a quem doer”.

Nada mais fez o dirigente da PF do que repetir, letra por letra, a frase que a própria Presidenta de República disse, à exaustão, nos debates e programas eleitorais na campanha de reeleição do ano passado, enaltecendo a atuação da PF como algo positivo em seu governo.

Lembrando a frase já dita com as mesmas cores e no mesmo tom pela Presidenta Dilma, o diretor-geral da PF apenas reforçou o que todos já sabem, ou devem saber: a boa polícia judiciária é isenta, investiga fatos e não pessoas.

É como dizia Marcio Thomaz Bastos, “a Polícia Federal é republicana, ela não protege e nem persegue ninguém”, em frase que aliás foi entronizada em lugar de destaque na sede da associação dos delegados da PF, em Brasília, no auditório que leva o nome do ex-Ministro da Justiça, em justa homenagem que lhe foi feita, por sorte ainda em vida, exatamente pela candente defesa que ele sempre fazia da independência investigativa da PF.

Por isso, deve-se saudar, por aqui, a ação da Polícia Civil que meteu atrás das grades maus dirigentes e empresários inescrupulosos flagrados desviando recursos que eram destinados à construção de escolas e no fortalecimento da educação pública.

Tenho com meus botões que em processos revolucionários os atos de corrupção e de desvios de recursos públicos da educação ou da saúde, talvez até posicionem seus autores em condição de primazia nas execuções por fuzilamento, pelo caráter abjeto da pilhagem.

Em boa hora, portanto, a Operação “Quadro Negro” da Polícia Civil.

Espera-se apenas que a investigação da rapinagem na SUDE (antiga Fundepar) prossiga “doa a quem doer”, tendo o rigoroso acompanhamento e fiscalização do Ministério Público.

Um bom começo é entender como uma jovem microempreiteira, sem tradição no mercado e que sucede outra recém falida, conseguiu conquistar tantos contratos para obras na SUDE. Que alquimia é essa?

Se a investigação for pra valer, acreditem, será um momento alto para a Polícia Civil e para a correta gestão do delegado-geral Julio Reis. Pode fazer história.

Como nem tudo são flores, de muito triste nisso tudo, além da certeza do descarado desvio de verbas da educação, foi constatar que o denunciante que botou f Leia mais