23 de novembro de 2015
por admin
27 Comentários

Coluna do Luiz Cláudio Romanelli: O receituário do Paraná

Download

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente,
o que fazemos para mudar o que somos”

Eduardo Galeano

Luiz Cláudio Romanelli*

Havia mais de uma década que esperávamos pela notícia: Paraná quarto PIB nacional, a sexta renda per capita brasileira e a avaliação de 64 indicadores, da infraestrutura ao capital humano, lhe garante o status do segundo Estado mais competitivo do país.

Estatísticas e números, em ambientes técnicos, parecem frios, comuns, não empolgam, e se misturam a dura realidade em que o país atravessa: desaceleração da atividade econômica, inflação alta, consumo baixo, eliminação de postos de trabalho e a redução de investimento público e privado.

É um quadro recessivo e exatamente por essas condições que o caso do Paraná merece uma atenção mais destacada em relação à economia de outros estados e sobre quais ambientes que o conjunto das forças produtivas criou para construir essa referência que comumente a imprensa aponta como “na contramão da crise”.

De antemão, é sempre bom que se repita: o Paraná não é uma ilha que está passando ao largo da crise. O estado está enfrentando seus percalços e deve tomar as medidas necessárias, neste atual momento, para proteger a sua economia e o emprego do paranaense. Esse é um ponto muito importante que vai nortear a minha atuação parlamentar nos próximos meses.

Agora, antes de detalhar percentuais de PIB, escalas de renda per capita brasileira e até as avaliações do The Economist que apontam o bom momento da vida do paranaense, trago outro bom exemplo: o Governo do Estado vai pagar R$ 3,9 bilhões nos próximos 30 dias de três folhas de pagamento (novembro, 13º e dezembro) dos servidores estaduais.

Aos salários somam-se já os 3,45%, pagos em outubro, de reajuste acordado com os servidores. Nos salários de janeiro serão mais 10% de aumento – ou valor integral do IPCA. Isso contando já o pagamento de progressões, promoções e outros reajustes acordados com categorias diversas do funcionalismo estadual, como a do ensino superior, da educação básica  e da saúde.

Há vários estados – do mesmo ou menor porte que o Paraná (caso do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Sergipe, entre outros) que atrasam, parcelam e escalonam os salários dos servidores e que ainda procuram soluções para o pagamento do 13º. O próprio governo federal decidiu adiar para agosto de 2016, o pagamento do reajuste dos servidores federais previsto para janeiro próximo. A justificativa é que a situação econômica do país piorou e não há dinheiro suficiente no orçamento de 2016 para cumprir com os reajustes dos servidores e convocar os aprovados em concurso.

Diga-se: o Pa Leia mais

6 de outubro de 2015
por admin
12 Comentários

Coluna do Enio Verri: Agora tem até panfletos pregando ódio de que “Petista bom é Petista morto”

Download

Enio Verri*

Bandido bom é bandido morto? De acordo com pesquisa da Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada pela Folha de São Paulo, metade da população brasileira, moradores em municípios com mais de 100 mil habitantes, concordam com a sentença.

De acordo com o documento, a aprovação de metade da população atinge seus maiores índices no Sul (54%), entre os homens (53%), brancos (52%) e com mais de 60 anos de idade (65%), enquanto os menores níveis se encontram entre negros (44%) e pardos (47%) e entre os mais jovens (42%), maiores vítimas de homicídios.

O senso comum, que paira sobre a discussão, difunde-se pelas conversas informais ou até mesmo pelo apoio da mídia, como programas policias, reiterando o conservadorismo e desigualdades vivenciados pelo País. Segundo dados do Mapa da Violência, as principais vítimas de homicídio no País são jovens e negros e pardos.

Trata-se de um senso comum que serve de combustível para os defensores da pena de morte, redução da maioridade penal e portes de arma de fogo, como solução à violência. Claro, quando quem cometeu a ilicitude não seja nenhum familiar ou integrante da classe alta da sociedade.

A reprodução da sentença trafega por uma linha tênue entre a opinião pessoal e discurso de ódio que motivam a ações de “justiceiros”, que cometem abusos aos direitos humanos e a democracia, ao condenar, as vezes com a vida, sem provas ou direito de defesa. Ato, infelizmente, comemorado por uma parcela considerável da sociedade.

Tal atitude não só incita a violência, como eleva o clima de insegurança e os índices de criminalidade, potencializando discriminações, egocentrismo e desconfiança contra instituições e direitos públicos. Observa-se as constantes ofensas propagadas pelos meios online.

Os índices apresentados pelo Datafolha acendem o sinal de alerta para desconfiança e impopularidade dos Poderes Públicos, por parte da população, que prefere “resolver” com as próprias mãos do que esperar justiça ou políticas públicas efetivas.

Cabe a nós, sociedade organizada e esferas governamentais, debruçarmos sobre a realidade da violência urbana, atentando-se as demandas da população para efetuarmos reformas e políticas públicas efetivas e de conscientização que transformem o cenário atual, caminhando para uma sociedade mais justa e igualitária.

*Enio Verri é deputado federal, presidente do PT do Paraná e professor licenciado do departamento de Economia da Universidade Estadual do Paraná. Escreve nas terças sobre poder e socialismo.

Leia mais