14 de dezembro de 2015
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Coluna da Maria Victória: Pelo corte no programa Bolsa Família

“A pior ditadura não é aquela que aprisiona o homem pela força,
mas sim pela fraqueza, fazendo-o refém das próprias necessidades”
Júlia Lícia

Maria Victoria Borghetti Barros*

Sou suspeita em falar sobre esse assunto, já que a proposta do corte no programa assistencialista Bolsa Família no orçamento do Governo Federal para o ano de 2016 é do deputado federal Ricardo Barros, meu pai. Mas sinto que devo emitir minha opinião: É triste ver o Governo Federal dando o peixe, ao invés de ensinar a pescar, ainda mais para mim, totalmente favorável ao investimento em educação a longo prazo no Brasil, acreditando ser a única salvação para o futuro de uma geração mais preparada e digna de ser brasileira.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome afirma que 72% da população adulta beneficiada pelo Programa possui renda declarada, seja com emprego de carteira assinada ou com trabalho no mercado informal. O cartão Bolsa Família funciona como complemento de renda, ou seja, é demagogia dizer que as pessoas beneficiadas voltarão à miséria.

Significa somente que o PT perderá parte de seu eleitorado, amarrado e costurado por assistencialismo, populismo puro. Ao invés de dar condições dessas pessoas se capacitarem profissionalmente, e assim, caminharem com as próprias pernas, o Governo faz com que elas fiquem na dependência de tal benefício.

O Governo Federal precisa colocar as contas em ordem para sair da crise. É preciso permitir que investimentos voltem a ser realizados para gerar empregos e renda, fazendo o país voltar a crescer. Só assim, e sem a corrupção que escandaliza a cada dia, poderemos ver o Brasil e sua população receber e ser o que, de fato, merece.

Temos um déficit no orçamento da União superior a R$ 30,5 bilhões. Cortes tem que ser feitos e não tem mágica, e não é com cortes vultosos na Educação, como os R$ 7 bilhões anunciados no início do ano, além da diminuição de turmas do Pronatec, programa voltado para o ensino técnico e profissional, é que o problema será resolvido.

*Maria Victoria Borghetti Barros é deputada estadual, pré-candidata a prefeita de Curitiba pelo PP, vice-presidente da Comissão de Educação na Assembleia Legislativa do Paraná. Ela escreve às segundas-feiras no

14 de dezembro de 2015
por admin
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Coluna da Gleisi Hoffmann: Contra o corte do Bolsa Família

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Gleisi Hoffmann*

Com todo respeito ao ministro Joaquim Levy, não é razoável impor um superávit primário agora ao orçamento de 2016, ainda que seja de 0,7%. Assim como é uma sandice cortar 10% do Bolsa Família, principalmente porque entramos em um período de aumento do desemprego e piora da economia no país.

Diz-se que as contas públicas estão descontroladas, mas nada se fala do custo dos juros que as dilaceram!

Não é possível, razoável, justificável, impor uma economia no orçamento para pagar juros, cujos custos já acumulam mais de R$ 400 bilhões ao ano, e beneficiam cerca de 1% da população, em razão da alta da Selic, e reduzir o Bolsa Família, um programa que custa ao ano R$ 25 bilhões e beneficia 20% da população. Que inversão é essa?!

Atrás de discursos bonitos feitos pelos mercados sobre equilíbrio fiscal, lição de casa, gastar o quanto se ganha, enfeitados pelo argumento fácil de que basta vontade para vencer na vida, vem a velha receita de manter para os ricos e retirar dos pobres!

Não podemos aceitar passivamente esse tipo de argumentação, achando que faz parte da natureza das coisas!

Ora, o desequilíbrio financeiro que vivemos nada tem a ver com o Bolsa Família, com aumento de recursos para educação, sempre tão cobrados pela sociedade, com os investimentos no social. Tem a ver com juros, com a exorbitante Selic de 14,25%, arbitrada pelo Banco Central, que se transforma em quase 300% ao ano para quem usa cheque especial!

Será que precisamos de uma taxa de juros tão alta para equilibrar as operações de crédito subsidiadas pelo governo, como diz o mercado, ou temos subsídios para o crédito porque o sistema financeiro não gosta de correr riscos e por isso não empresta?!

A última pérola para o discurso vicioso seria o Banco Central, como ventila-se, aumentar mais os juros para conter a inflação. Com o PIB no chão, o consumo das famílias em baixa e o crédito minguando, qual seria o efeito de um aumento da Selic?!

Com certez

2 de novembro de 2015
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Coluna da Gleisi Hoffmann: O direito de comer pode ser negociado para “recuperar” a economia?

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Gleisi Hoffmann*

Não é de hoje que o programa Bolsa Família sofre ataques. Quando foi lançado dizia-se que era o bolsa esmola e incentivo para a vagabundagem; as críticas mais à esquerda diziam que era paternalismo, programa compensatório.

No auge do governo Lula, quando ele tinha quase 90% de popularidade, o Bolsa Família foi politicamente disputado a tapas. O PSDB jurava que a iniciativa era sua, da gestão FHC, que tinha iniciado o projeto piloto. Os radicais de esquerda começaram a defendê-lo como um grande feito social, que minimamente combatia a desigualdade.

Agora, com as necessidades de ajustes ao orçamento, o programa sofre novos ataques. Desta feita, o relator geral do Orçamento da União, deputado Ricardo Barros, do PP do nosso Estado, propõe cortar R$ 10 bilhões do programa com a desculpa de equilíbrio fiscal e de que “todos” têm de dar sua contribuição. Mas o relator não propõe cortar as emendas parlamentares, ou o Fundo Partidário. Muito pelo contrário, neste caso ele propõe aumento.

Setores mais conservadores, inclusive do nosso Paraná, aplaudem a iniciativa. Ato contínuo, o governador Beto Richa, que nunca tem posicionamento firme e convicto sobre qualquer assunto, anunciou que cortaria pela metade o Programa Família Paranaense, ação da qual se gabava por complementar o Bolsa Família no Estado em “expressivos” R$ 10,00.  Vamos lembrar que este “programa” do Paraná foi uma das vitrines de sua campanha à reeleição! Será que mantém o intento ou recua, por medo de pressão, como fez no caso de fechamento de escolas?

Descompromisso do governo paranaense à parte, o fato é que o Bolsa Família, um dos programas mais bem sucedidos no mundo para o enfrentamento à pobreza no curto prazo, está na mira daqueles que nunca passaram necessidade na vida, que acham que o direito a comer pode ser negociado para recuperar a economia!

O Brasil só saiu do mapa da miséria e da fome, e pela primeira vez forma uma geração sem fome no Brasil, porque um homem pobre, sofrido pela fome, operário metalúrgico, assumiu o comando do país. Só quem sentiu a dor da fome, como Lula, tem sensibilidade para garantir um prog