2 de setembro de 2015
por Esmael Morais
11 Comentários

Coluna do Reinaldo de Almeida César: A dura realidade das polícias do Paraná

Download

Reinaldo de Almeida César*

Num tempo de ouro da política do Brasil e do Paraná, em plena redemocratização, o jornal Folha de Londrina tinha um timaço de jornalistas de primeira linha, que poderiam ter assinado editoriais em qualquer jornalão do mundo.

Sob o olhar atento do divertidíssimo João Milanez e sempre com a atenta percepção dos irmãos Maccarini, a partir da sede de Londrina até o imóvel que abrigava a sucursal de Curitiba na rua Augusto Severo, um grupo de jornalistas geniais cravou um marco no que houve de melhor na mídia impressa do Paraná, transformando um jornal de âmbito municipal em referência no jornalismo nacional.

Lembro-me de como li e reli tantos textos tamborilados pelo talento de Nilson Monteiro, Luis Geraldo Mazza, Pedro Arlant, Malu Maranhão, Sandro Guidalli, Vanderlei Rebello, Tereza Martins, Thomas Trauman, Deonilson Roldo e do doce poeta Zeca Correa Leite.

***

Esse espírito do bom jornalismo, livre de amarras, liberto das verbas oficiais e, por isso mesmo, crítico e fiel à verdade factual, às vezes ainda dá as caras por aqui.

Na semana que passou, na edição de quinta-feira, a Folha de Londrina estampou matéria de capa que honrou os melhores momentos do passado recente do jornal.

Em ótima matéria assinada por Rafael Fantin, a Folha de Londrina mostrou a dura realidade das polícias do Paraná, repercutindo estudos feitos pelo IBGE.

O Paraná tem uma temerária – para não dizer ridícula – proporção entre o efetivo policial e sua população.

Segundo a matéria da Folha, estamos à frente apenas do Maranhão.

Contra números não se briga.

Basta ler, na matéria, o que disseram dois legítimos líderes em suas corporações, o competente Coronel Cesar Alberto Souza e o aguerrido Delegado Claudio Marques Rolim e Silva, sobre as agruras vividas pelas forças policiais que representam.

Com base em dados oficiais, esta coluna já havia apresentado para reflexão, aqui no Blog do Esmael, em 22 de abril de 2015, a dura realidade que desmente a propaganda oficial. O governo conta só um pedaço da história ao dizer que contratou 10.000 policiais. Nunca informa quantos policiais saíram, ao longo dos últimos 5 anos.

Até abril deste ano, na PM, foram admitidos 655 (2011), 2581 (2012), 2577 (2013), 215 (2014) e 11 (2015) novos policiais e bombeiros militares.

Na via oposta, deixaram a corporação 787 (2011), 1198 (2012), 856 (2013), 800 (2014) e 216 (2015).

Isso resulta dizer que, na atual gestão, 6093 policiais militares ingressaram e o expressivo número de 3857 policiais deixaram a cor Leia mais

22 de abril de 2015
por Esmael Morais
35 Comentários

Coluna do Reinaldo Almeida César: Governo Richa dá calote até em concursos para contratar policiais

Reinaldo Almeida César*

Nada é mais importante, em gestão de segurança pública, do que o material humano de que se possa dispor.

Nenhuma tecnologia de ponta, equipamentos e armamentos de última geração, nada supera o investimento que se faça em efetivos e em quadros funcionais das forças de polícia.

Nem mesmo o lugar comum – dito pelos que não tem o que dizer – do chamado investimento em “inteligência policial” substitui o que realmente faz a diferença no cinturão de proteção da sociedade, representado pelos órgãos de segurança.

Estados nacionais ou federados que enfrentam pra valer o fenômeno da criminalidade violenta e urbana, incrementam seus efetivos policiais, promovem contratações com regularidade e oferecem carreiras com remunerações dignas e promoções que sejam realmente asseguradas.

Ao lado disso, assistência médica e psicológica ao policial e seus familiares e a perspectiva de uma merecida e segura aposentadoria, ao fim do período legal de trabalho, durante toda uma vida de dedicação.

Em contraparte, cuida-se da boa formação dos policiais no ingresso na carreira e ao longo dela, com oportunidades de aperfeiçoamento e capacitação, tudo isso sempre permeado pelos inflexíveis princípios da ética e da deontologia.

O servidor da área de segurança pública não é melhor, nem mais importante que os demais servidores públicos civis.

Porém, é o único que no ato de sua posse jura solenemente oferecer a própria vida no desempenho da função. Familiares despedem-se no café da manhã sem ter a certeza do regresso do policial com integridade, ao final do dia.

Estamos com uma triste estatística. O Paraná é o quarto estado em morte de policiais militares, perdendo apenas para São Paulo, Rio de Janeiro e Pará, a se confirmarem os dados apresentados pelo insuspeito 8. Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apresentado em 2014.

Enquanto isso, o governo queima energia no controle de tatuagens e no uso do WhatsApp pelos policiais.

O Paraná tem um gravíssimo quadro de carência de policiais e quase inexistentes políticas de incentivo na carreira policial.

Fazemos divisa com três estados.

Em números aproximados, Mato Grosso do Sul tem 1/4 da população do Paraná e metade do nosso efetivo policial. Santa Catarina, tem quase metade da população do nosso estado e o mesmo efetivo policial.

Logo, matemática simples, precisaríamos ter o dobro do efetivo policial atual, apenas para ficar na comparação com estes dois estados vizinhos.

Porém, no cotejo com o último Estado que tem limite de território conosco, São Paulo, o cenário é ainda mais dramático. São Paulo tem 4 vezes mais habitantes que o Paraná e, respirem, 10 vezes mais policiais que nosso estado.

Para onde os prezados leitores acham que o crime organizado irá migrar?

Só existe um caminho para reforçar efetivos.

Investir pesado, abrir concursos, recrutar com seriedade e rigor, convocar e nomear.

Desde a apresentação e lançamento do programa PARANÁ SEGURO, em agosto de 2011, o governo diz ter feito um enorme esforço nesta linha.

Com caudalosa insistência, a palavra oficial do governo repete o número de 10.000 novos policiais contratados, ao longo deste período de gestão.

No entanto, tenho cá com meus botões que há uma enorme diferença entre incrementar efetivos policiais e meramente repor efetivo policial.

Nos últimos tempos, na PM, foram admitidos 655 (2011), 2581 (2012), 2577 (2013), 215 (2014) e 11 (2015) novos policiais e bombeiros militares.

Na via oposta, deixaram a corporação 787 (2011), 1198 (2012), 856 (2013), 800 (2014) e 216 (2015).

Isso resulta dizer que, na atual gestão, 6093 policiais militares ingressaram e 3857 deixaram a corporação.

Toquem-se as trombetas pelo e para o governo, o saldo é de 2236 novos policiais militares.

Entretanto, está muito, muito longe dos 10.000 policiais militares do discurso oficial que, repetido à exaustão, passa a falsa sensação de que este é um número de incremento no efetivo da PM, pois desconsidera o que sejam apenas reposições.

Na Polícia Civil, o quadro não é diferente.

Anunciou-se no lançamento do programa PARANÁ SEGURO, em agosto de 2011, que o governo contrataria 400 novos delegados de polícia.

O concurso ocorreu em 2013 e, de lá para cá, foram empossados apenas 62 delegados de pol Leia mais