9 de Maio de 2016
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Julgamento forjado

forjado

Entre as injustiças de um julgamento forjado com execução pré-definida, o golpe contra a democracia vai se consolidando em forma de processo de impeachment. Não se trata de corrupção, ou de crime de responsabilidade da presidenta Dilma. O golpe visa restabelecer a elite econômica no poder e retirar direitos dos trabalhadores. É a análise da senadora Gleisi Hoffmann em sua coluna semanal. Leia a íntegra a seguir. 

7 de Março de 2016
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Coluna da Gleisi Hoffmann: Quem vai acalmar o país agora?

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Gleisi Hoffmann*

O sequestro de Lula foi uma operação política, midiática e inconstitucional. Incendiou os ânimos da militância de parte a parte e colocou a sociedade em estado de ebulição política. A situação ficou tão grave que o próprio juiz Sérgio Moro, que fala que só se manifesta nos autos, soltou uma nota para justificar o feito.

Disse que não havia antecipação de culpa, que a medida visava apenas esclarecimentos da verdade e que foram tomados cuidados para preservar a imagem do ex -presidente Lula(?). Repudiou ainda “atos de violência”.

Para tomar um depoimento à bem da verdade precisa o Ministério Público mobilizar 200 policiais federais, helicópteros, carros, naquela quantidade? Uma intimação juridicamente sustentada não teria chegado ao mesmo resultado, sem grandes gastos, comoção e insuflação política?!

A dita condução coercitiva está sendo objeto de discordância e críticas por vários juristas: “Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão que resiste e não comparece para dep

8 de Fevereiro de 2016
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Coluna da Gleisi Hoffmann: As boas notícias do início de 2016

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Gleisi Hoffmann*

O preço que pagamos pela energia vai reduzir! É isso mesmo, a partir de março teremos, em média, 3% a menos na conta da luz. Pode parecer pouco, mas a aposta de grande parte do mercado é de que iria subir!

A taxa de juros não subiu! É verdade que ainda está muito alta, mas a avaliação majoritária era de que aumentaria meio ponto percentual. Mesmo não tendo sido uma decisão unânime do Banco Central, o indicativo que temos é de que não subirá no futuro. Espera-se, sinceramente, que comece um processo de redução.

O governo anunciou R$ 85 bilhões em crédito, que vão ajudar a animar a economia. Esse é um dinheiro que já está no mercado, não causará mais inflação e o juro será menor mesmo sem subsídio. São os recursos das ditas pedaladas fiscais, que a presidenta devolveu aos bancos públicos de uma só vez. Com isso, terão mais crédito a agricultura, microempresas, pequenas e médias empresas exportadoras. E não venha o mercado afirmar que não há demanda por crédito. Os bancos privados deixam de emprestar e quando o fazem, é com juros estratosféricos.

O dólar está estabilizando na casa dos R$ 4,00. Isso melhora a competitividade brasileira e faz nossa balança comercial permanecer positiva. Exportamos mais do que importamos.

Nossas reservas internacionais continuam a ser a sexta maior do mundo. São U$ 370 bilhões que protegem o país da especulação. Isso é o diferencial que temos diante de outras crises já enfrentadas pelo Brasil.

Vamos controlar a inflação este ano. A maioria dos analistas avalia que ficaremos perto da meta superior, cerca de 7%, mesmo com a alta deste início de ano, ligada ao reajuste das tarifas de ônibus, mensalidades escolares e preço de alguns alimentos.

As medidas de ajuste foram tomadas em 2015. Houve economia de mais de R$ 100 bilhões no orçamento, despesas foram reduzidas sem afetar os programas sociais. Muitas medidas foram discutidas e aprovadas pelo Congresso, aumentando receita e diminuindo despesas. O novo ministro da Fazenda também informou que colocará em dia o pagamento aos fornecedores de serviços e produtos prestados em convênios com a União.

E uma noticia interessante publicada foi de que as companhias aéreas bateram o recorde de passageiros no final de 2015. Nunca haviam transportado tantas pessoas como nessa temporada.

Apesar disso, a análise majoritária do mercado é de que o Brasil está em recessão, por ter queda no PIB pelo terceiro ano consecutivo, podendo cair mais em 2016 do que o previsto. A queda do PIB vai acontecer, já estava precificado. A economia internacional também vai sofrer reveses, atingindo parceiros importantes do Brasil, como China e Estados Unidos.

O que não pode continuar acontecendo é a apologia

26 de outubro de 2015
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Coluna da Gleisi Hoffmann: Beto Richa, o inimigo da Educação!

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Gleisi Hoffmann*

Só muito ódio, mágoa e desinteresse, ou melhor, interesse em prejudicar, pode explicar as ações do governo de Beto Richa em relação à educação no Paraná.

Primeiro, o massacre dos professores para assegurar a votação de lei que retirou direitos da categoria; depois o desmonte do Fundo de Aposentadoria dos Servidores Públicos, seguido da tentativa de acabar com eleições diretas para diretores e agora o fechamento de escolas. Como pode o Paraná, um Estado desenvolvido, ter sua educação tratada desta forma?!

Diminuir despesa, fazer ajuste nas contas públicas é algo com que qualquer governante se depara. Mas neste caso paranaense o que vemos é perseguição. O que se pretende não é só economizar diminuindo estrutura da educação, o que já seria injustificável.  O que se pretende é enfraquecer a educação pública paranaense. Desrespeitar trabalhadores na educação, baixar a autoestima de nossos educadores e deixar claro que educar, ensinar, formar não é prioridade do governo do Paraná.

Só isso para explicar o fechamento de escolas rurais, num Estado que tem a agricultura familiar como base de sua economia; fechar cursos de educação de jovens e adultos – Ceebjas e desativar escolas históricas do Paraná. No passado recente também houve a ação contra as Casas Familiares Rurais, que formam os jovens para continuar tocando a pequena propriedade da família.

Aqui, antes que critiquem, nenhuma comparação pode ser feita com o governo federal, governo Dilma, por ter contingenciado recursos para educação. O governo federal pode até deixar de investir mais na área da educação com esse contingenciamento, o que não gostaríamos que acontecesse. Mas em nenhum momento atentou contra o direito adquirido dos trabalhadores na educação, fechou escolas ou interveio na estrutura de ensino.

Muito pelo contrário. Nestes treze anos de governo Lula e Dilma foram abertas mais escolas técnicas e universidades que em todos os 500 anos de existência do Brasil. Nunca tivemos tantos investimentos em creches, que são mais de 8 mil sendo construídas; em transporte escolar, 30 mil ônibus entregues; 58 mil escolas com contra-turno; 1,6 milhão de jovens beneficiados pelo Prouni, entre outros avanços.

O que acontece no Paraná é a desconsideração completa do Plano Nacional de Educação recentemente aprovado pelo Congresso Nacional e debatido com toda a sociedade. Vemos o sucateamento de nossas escolas, falta investimento em formação para os nossos professores, redução na contratação

12 de outubro de 2015
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Coluna da Gleisi Hoffmann: Feliz dia das Crianças!

criancas

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Gleisi Hoffmann*

Estava na Casa Civil quando a presidenta Dilma decidiu que o Bolsa Família deveria ser complementado para quem tivesse crianças de até 6 anos de idade. Depois o programa foi estendido para as famílias que tinham filhos de até 15 anos.

Nascia ali o “Brasil Carinhoso”, nome fantasia do programa, que fazia referência ao desenho infantil Ursinho Carinhoso, com o objetivo de beneficiar quem mais sofria com a pobreza extrema: crianças na primeira infância.

Os dados eram tristes. A maior pobreza era negra/parda, feminina e infantil. O Bolsa Família já tinha interferido muito nesse cenário, retirando milhões de pessoas da miséria. Mas a prevalência da pobreza extrema ainda ficava nos 2 milhões de famílias com crianças de 0 a 6 anos de idade.

A decisão de Dilma foi que todas as famílias, beneficiárias do Bolsa Família, que tivessem crianças de até  6 anos, receberiam uma complementação de renda por pessoa. Além disso, essas crianças têm hoje acesso gratuito as vitaminas, principalmente ao sulfato ferroso que previne anemias, além da promoção das campanhas de vacinação e dos medicamentos de asma, que são distribuídos gratuitamente. Anemia e asma eram as principais causas de internamento de crianças.

Outra frente para proteger os pequenos brasileiros foi o investimento em creches. T

5 de outubro de 2015
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Coluna da Gleisi Hoffmann: Reforma administrativa foi gol de Dilma

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Gleisi Hoffmann*

A despeito de certos analistas políticos dizerem que a mudança no ministério da presidenta Dilma é uma cessão de cargos em troca de apoio político contra o impeachment, o fato é que ela mudou, na sexta-feira, os rumos da conjuntura política e, mais do que isso, da economia, com seus anúncios.

É compreensível a reação por parte da grande mídia, seus analistas e jornalistas especializados. Afinal, ficaram agourando o governo desde antes de sua posse. Não poderiam reconhecer outro caminho.

Mas a presidenta Dilma trouxe o ex-presidente Lula para mais perto de seu entorno, realocou ministros e, como disse, atualizou a base política do governo para assegurar a governabilidade: “desde a redemocratização, governos de coalizão promovem mudanças quando necessárias”.

O movimento enfraquece a onda golpista da oposição, melhora a governabilidade e possibilita que as medidas enviadas ao Congresso Nacional, para melhorar a economia, sejam votadas.

A presidenta também surpreendeu ao anunciar uma reforma administrativa que reduz seu próprio salário e o de seus ministros, extingue três mil cargos de confiança, oito ministérios e 30 secretarias. Criou também a Comissão de Reforma Permanente do Estado. Pena que sobre isso nenhum jornal escreveu sequer uma linha. Importante ressaltar, novamente, que os programas sociais não sofreram cortes.

O anúncio da presidenta e as mudanças efetivadas já deram resultado na economia: a Bolsa de Valores subiu na sexta-feira e o dólar fechou em baixa. Tenho certeza de que também encontrará eco no Congresso Nacional.

Mas a ofensiva contra Dilma ainda continua, porque nesta semana o TCU vai fazer o julgamento das contas do ano de 2014. O relator, ministro Augusto Nardes, ex-deputado federal, que tem lado declarado na política, já divulgou que seu parecer será pela reprovação. Aliás, o motivo, as chamadas pedaladas fiscais, sempre existiu. Por que Nardes nunca levantou isso antes?! Uma corte de Contas não assume posição política.

21 de setembro de 2015
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Coluna da Gleisi Hoffmann: Dilma desagrada mercado porque mantém programas sociais

Gleisi Hoffmann*

Passamos a semana tentando entender as análises de economistas, articulistas de mercado, empresários, políticos, movimentos sociais, intelectuais de esquerda sobre o ajuste fiscal anunciado pelo governo da presidenta Dilma na segunda-feira passada.

Em comum, quase todos, sob sua perspectiva, criticaram o pacote; mas o mercado, este ente quase invisível, além das críticas mais fortes, externou decepção total.

Analistas esperavam um grande corte nas despesas, aquele chamado corte na carne, que para o mercado seria em cima de programas sociais, como bolsa família, programas de educação, saúde e assim por diante. É sempre assim, quando as coisas apertam, sobra para os mais fracos.

Entretanto, a presidenta Dilma não deixou isso acontecer. Primeiro porque o orçamento de despesas já sofreu um forte ajuste em 2015 e o orçamento de 2016, objeto do atual ajuste, foi feito com base em 2015, com os cortes já feitos.

Para se ter ideia do corte de despesas, vale lembrar que o orçamento de 2015 foi inferior em R$ 40 bilhões em relação ao de 2014. Além disso, está com R$ 80 bilhões contingenciados, sem execução. Por isso não é verdade que a proposta da presidenta é em cima do aumento da carga tributária. O ajuste começou no início deste ano, e foi pesado para as despesas, mas preservando os programas sociais mais estruturantes.

Cortar programas sociais só aumenta o drama dos mais pobres. Por isso a presidenta poupou esses programas. Mesmo o Minha Casa Minha Vida que sofreu ajuste, não foi para diminuir o programa, mas para adequá-lo a uma nova fonte de subsídio e a criação de mais uma faixa de financiamento.

Temos um problema de despesas com aumento exponencial que é a taxa de juros, que chega a 14,25%. Já pagamos, neste primeiro semestre de 2015, R$ 130 bilhões a mais de juros em relação ao mesmo período do ano passado. Mas sobre isso o mercado cala!

Mesmo os empresários, que costumavam reclamar dos juros, ficaram calados, porque quando a presidenta executou uma política que levou os juros para a casa dos 7,5%, eles não sustentaram. Aliás, muitos perderam dinheiro porque tinham mais retorno de aplicações financeiras do que de sua produção. Este é um dos motivos de termos uma indústria com baixa competitividade. Os juros precisam baixar, e rápido.

Se isto não acontecer, qualquer corte de despesa ou aumento de impostos não fará

14 de setembro de 2015
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Coluna da Gleisi Hoffmann: S&P e o rebaixamento; dois pesos, duas medidas

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Gleisi Hoffmann*

Vivemos uma semana de debates acalorados em razão do rebaixamento da nota do Brasil, pela Standard & Poor’s, para país especulativo. Quanto ao tema, a melhor avaliação, no meu entender, está na coluna deste domingo do jornalista Jânio de Freitas, publicada em vários jornais: “Se a retirada do “selo de bom pagador” do Brasil por uma das três empresas privadas que ganham fortunas dando ou negando esses selos justifica a tragédia escandalosa feita aqui, por que a concessão do selo em 2008 não mereceu escândalo positivo?”

Simples não?! Mas com certeza o mercado escandaloso não tem resposta digna para esta questão. No momento, o que interessa é deixar ainda mais conturbado o cenário político e econômico brasileiro. Assim, voltam ao cenário as falas duras para o corte de despesas do governo, em especial os benefícios sociais. Para a maioria dessa gente, é um absurdo o país “gastar tanto” com benefícios e programas aos mais pobres. Temos de reduzir despesas; esse é o sacrifício exigido de todos nós pra resgatar o selo de bom pagador, diz o mantra.

O engraçado é que esses que querem reduzir os programas sociais são os mesmos que se opõem ao aumento de impostos para quem tem alta renda, altos lucros. Se eles forem tributados, passarão o custo à sociedade, dizem. Então tá, deixamos esses setores ganhando horrores porque eles poderiam, se taxados, encarecer mais os serviços que prestam às pessoas. Quais serviços exatamente?

O mercado financeiro faz sérias acusações sobre o descontrole fiscal, a falta de superávit primário, mas em nenhum momento faz autocrítica pela prática de juros exorbitantes, nem pede ao Banco Central para abaixar a taxa Selic dos atuais 14,25%. Foi esse aumento da taxa por pressão do mercado que, num curto espaço de tempo, aumentou demasiadamente nossa despesa. Calcula-se que para cada um ponto percentual de aumento da Selic, o desembolso do Tesouro com juros chega a cerca de 15 bi. Imagina o impacto positivo de um ajuste na Selic para baixo!

Por outro lado, também acompanhamos discursos moralizadores de parlamentares da oposição, e até da situação, sobre o equilíbrio fiscal. Na mesma linha temos juízes, procuradores, carreiras de Estado, fazendo discursos semelhantes.

O interessante é que esses setores, bem remunerados pelo Estado (povo) brasileiro não se dispõem a cortar na própria carne: a alta remuneração e os benefícios que possuem. Não escutei nenhum parlamentar, juiz ou promotor propondo a redução do próprio salário, da verba de gabinete, do número de assessores,  para ajudar o país a sair da crise.

É sempre a política da responsabilidade do outro, principalmente se ele for a massa mais pobre da população, sem cargo, identidade específica, ou lobbies organizados.

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Blog do Esmael às segundas-feiras.

7 de setembro de 2015
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Coluna da Gleisi Hoffmann: “Deixem passar as pessoas!”

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Gleisi Hoffmann*

Nessa semana, o mundo assistiu a cenas tristes, cuja origem está no preconceito e na intolerância. Porque é muito triste que uma criança tenha morrido para que o mundo acorde para o problema da migração.

Vivemos tempos contraditórios. As ideias de livre comércio são amplamente vitoriosas no mundo todo. As fronteiras se abrem cada vez mais para que passem os produtos e mercadorias que são trocados em escala mundial.

Ao mesmo tempo, cada vez mais barreiras se erguem para dificultar ou impedir a passagem das pessoas, mesmo em situações extremas, como agora, para fugir de guerras, da fome e da falta de condições dignas para a vida. Assim, o limite que nos separa da barbárie é tênue e perigoso, colocando em risco a vida, a liberdade e a diversidade. Não podemos nos deixar guiar pelo ódio.

E não é preciso ir muito longe para observar isso. Ao lado de cada um de nós, há um amigo ou conhecido que tem preconceito com pobres, ou outro que xinga mulheres, ou ainda há quem não goste de negros, quem abuse dos mais fracos, ou que julgue alguém por antecipação. E é este tipo de pensamento que está causando a morte de sírios e doutras etnias. Um pensamento de quem olha para essas pessoas em busca de uma vida melhor, longe da guerra, e tem a capacidade de dizer que eles vêm para roubar empregos, dinheiro, espaço.

Felizmente, há esperança. De acordo com matérias divulgadas nesta semana, o Brasil já concede mais vistos para refugiados sírios do que países europeus. São milhares de sírios que chegaram legalmente ao nosso país desde 2011, sem falar de outras etnias vítimas de conflitos e que encontraram no Brasil um refúgio, como Haiti, Angola e República do Congo.

Em Curitiba, os haitianos já se tornaram parte da nossa população. Muitos dos refugiados sírios rejeitados pelos Estados Unidos também estão em Curitiba – uma cidade que, em sua origem, foi formada por imigrantes, cujos antepassados já passaram por situações semelhantes.

É importante que olhemos para esta tragédia e possamos aprender com ela. Precisamos ter mais sensibilidade com o próximo e não nos abster de ajudar quando alguém precisa. Precisamos parar de julgar os outros e ter mais compaixão. O que o Papa Francisco propõe é um bom exemplo, sugerindo que cada Igreja abra suas portas para receber as famílias de refugiados.

Como diz ele: “O Evangelho pede que sejamos vizinhos aos menores e mais abandonados, que entreguemos a eles esperança concreta. Não é suficiente dizer: Tenha coragem”.

O pré-conceito não nos levará a lugar algum, apenas a dor e sofrimento. Sejamos protagonistas do acolhimento, da bondade, da tolerância e da paz. O momento é mais que propício para todos melhorarmos!

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Blog do Esmael às segundas-feiras.

17 de agosto de 2015
por esmael
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Coluna da Gleisi Hoffmann: “Andar de cima” tem de dar contribuição ao ajuste

Gleisi Hoffmann*

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Apesar dos nossos avanços sociais nos últimos anos, que não são poucos, o Brasil ainda é um dos países que apresenta a maior diferença de renda entre os mais ricos e os mais pobres. Uma das causas principais desse resultado é a baixa tributação da parte mais rica da população, que vive da renda do capital (juros, lucros, dividendos) e não da renda do trabalho. Esta é mais tributada no nosso país.

Essa situação nada tem a ver com questões meramente econômicas, mas sim com decisões políticas tomadas ao longo da nossa história. Como diz Thomas Piketti em seu Capital no século XXI “A história das desigualdades é moldada pela forma como os atores políticos, sociais e econômicos, enxergam o que é justo e o que não é… Ou seja, ela é fruto da combinação de forças de todos os atores envolvidos”.

Temos a chance, agora, de começar a mudar essa situação. Nessa semana discutiremos, no Congresso, a Medida Provisória que aumenta o imposto sobre o lucro dos bancos. Enviada pela presidenta Dilma, a MP propõe aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos bancos de 15% para 20%. Faz parte do pacote de ajuste fiscal, e visa buscar a contribuição do “andar de cima” para enfrentarmos a crise.

Como relatora da Medida, apresentei duas grandes mudanças ao texto. Passo a CSLL dos bancos para 23%, baixando para 17% para as cooperativas de crédito, e proponho a redução gradual, para o fim em três anos, do chamado Juros sobre Capital Próprio, uma espécie de benefício tributário para reduzir o Imposto de Renda das grandes empresas no Brasil. Uma jabuticaba tributária que só existe aqui.

Os bancos tiveram, no primeiro trimestre deste ano, lucros elevados, apesar das dificuldades econômicas por que passa o país. Obviamente que a absurda taxa de juros básica de 14,25% contribuiu para isso. Nada mais justo que com esta lucratividade deem uma contribuição maior para a sociedade brasileira.

A alíquota de 23% trará uma arrecadação crescente nos próximos anos, projetada para R$ 6 bilhões/ano em 2017. Se compararmos ao lucro dos bancos no último  trimestre deste ano ainda é uma contribuição bastante modesta: o Bradesco obteve seu maior lucro trimestral na história, anunciando ter registrado lucro líquido contábil de R$ 4,473 bilhões. No caso do Itaú-Unibanco, o banco registrou lucro líquido de R$ 5,984. Nos três meses anteriores, o lucro havia sido de R$ 5,73 bilhões. O Banco do Brasil teve lucro de R$ 7,4 bilhões. Já Caixa e Santander lucraram menos, porém, ainda assim, resultados expressivos de R$ 1,5 bilhão e R$ 1,6 bilhão.

Já o Juro sobre Capital Próprio abre mão de uma arrecadação de cerca de R$ 4 a 5 bilhões/ano. Funciona assim: o acionista, ou dono da empresa que recolhe Imposto de Renda pelo lucro real, recebe juros do governo quando aplica seu capital na própria empresa. É isso ai. Essa taxa é limitada a TJLP (taxa de juros de longo prazo).
Ele multiplica seu capital líquido pela TJLP e

27 de julho de 2015
por esmael
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Coluna da Gleisi Hoffmann: “Apesar da crise” é o novo “Imagina na Copa”

Gleisi Hoffmann*

Encontrei no domingo pela manhã um conhecido com quem havia trabalhado na área de orçamento na Câmara dos Deputados, em Brasília, na década de 90. Depois dos cumprimentos, foi logo dizendo: “Situação feia que está no Brasil, é uma pena, acho que vou para Espanha!” Devo ter olhado com uma cara estarrecida, porque logo ele emendou: “Sim, Espanha! Tenho cidadania e lá eles já tiraram o nariz pra fora.”

Minha reação foi automática: “Aqui nunca estivemos com o nariz tampado, aliás, sempre respiramos com relativa facilidade diante de uma das maiores crises que o mundo viveu! Do que você está falando?!” – “Do futuro”, disse ele. “Do futuro dos meus filhos, um é engenheiro e outro arquiteto”.

Desconheço completamente que estejamos com uma crise de emprego na área de engenharia e arquitetura. Aliás, nem de perto temos ou teremos o nível de desemprego da Espanha, que atingiu 20% (entre os jovens, quase 40%). Temos setores com maior desemprego, mas temos rede de proteção social, continuamos com salário mínimo, com poder de compra e programas de governo que auxiliam a economia.

“É, mas a Espanha tem infraestrutura, o Brasil não tem e não conseguirá ter, porque não tem dinheiro para investimento”, insistiu ele.

Apesar de ser servidor público, trabalhar com orçamento, apresenta grande desinformação. Temos atualmente cinco mil quilômetros de estradas sendo duplicadas, resultado das concessões feitas em 2013; quarenta terminais portuários sendo construídos, com investimentos que ultrapassam R$ 11 bilhões! Seis aeroportos concedidos com obras sendo realizadas. Aliás, nossos aeroportos continuam cheios!

Recentemente, foi lançado o Plano de Investimentos em Logística II. Mais de 300 empresas se habilitaram para fazer estudos de concessão de rodovias e 90 para concessão de quatro novos aeroportos. Os filhos de meu conhecido com certeza não ficarão desempregados.

Mas ele não está sozinho nessa retórica pessimista, de lamentar contra o país e apostar no pior. Nossa imprensa, pelo menos parte considerável dela, está nesta linha já faz tempo. Só dados negativos têm espaço. Quem ouve, assiste e lê a mídia sente-se na pior economia do planeta, na crise mais perversa, na situação sem saída. Quando são obrigados a dar dados positivos da economia, e não são poucos, vêm com o bordão “apesar da crise…” Lembram do “imagine na copa”? Pois é, um leitor do meu face lembrou. Resolvi homenageá-lo com o título deste artigo.

É o “apesar da crise” que usam para dizer que a produção e a exportação de frango batem recordes; que a agricultura está com boa produtividade, o preço da saca de soja está bom e continuamos vendendo bem; que há demanda por carne suína brasileira e abrimos novos mercados para a carne bov

27 de Abril de 2015
por esmael
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Coluna da Gleisi Hoffmann: “A mania de perseguição, as mentiras e agora a repressão”

gleisi4*Gleisi Hoffmann

Colocar-se como perseguido, vítima da ação de outro, de preferência de seu antecessor ou do governo federal, dissimulando, mentindo sobre fatos e situações, são características já conhecidas do governador Beto Richa. A elas se somam agora o autoritarismo e uso da força para impor sua vontade, ainda que isso signifique jogar no lixo a palavra que deu e colocar o Estado sob regime de exceção.

A equipe do governador e sua base de apoio na Assembleia tem divulgado que o governo federal deve ao Estado do Paraná, tanto pelo Ministério da Fazenda como pelo Ministério da Saúde, e que isso é um dos motivos que está levando o governo a mexer com o Fundo de Previdência dos Servidores.

Essas afirmações são parecidas àquelas que Beto Richa faz quando diz que Luiz Abi é parente distante com o qual mantém apenas relações sociais. No momento seguinte surgem novos fatos a desnudar a mentira e a dissimulação.

13 de Abril de 2015
por esmael
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Coluna da Gleisi Hoffmann: “Transporte integrado para a região metropolitana de Curitiba”

Gleisi Hoffmann*

Parece que causou surpresa a manifestação que fiz no Facebook de que Curitiba deveria rediscutir o projeto de Metrô, considerando todo o sistema de transporte público da nossa Capital e da região metropolitana.

Na condição de senadora pelo Paraná, não é minha atribuição resolver os problemas da cidade. Mas pela mesma condição de senadora, tenho o dever de contribuir para que sejam solucionados. Como aliada do prefeito Gustavo Fruet, quero ajudar, mas não vejo como aumentar ainda mais os recursos para o metrô, como ele está pedindo.

Foi por isso que sugeri ao prefeito que refaça o debate com a Capital e com as autoridades das cidades vizinhas e também com o governo do Estado: será que a prioridade é mesmo o Metrô? Vamos investir quase seis bilhões de reais durante vários anos (obra de Metrô é demorada mesmo), enquanto o sistema tradicional de transporte de Curitiba e região se desmancha e atende de maneira cada vez mais precária as pessoas que precisam se deslocar diariamente?

Essa discussão vem de longe. Lembro-me que há mais de cinco anos o então prefeito Beto Richa relançou a ideia do metrô e solicitou apoio federal.

Mesmo não sendo aliada de Beto Richa e seu partido, não hesitei em apoiar a iniciativa. Ajudei a convencer o governo federal e a presidenta Dilma anunciou aporte de um bilhão de reais do orçamento federal, mais financiamento subsidiado do BNDES.

Eleito prefeito com nosso apoio, Gustavo Fruet reestudou o projeto e pediu mais recursos. Apoiei e a presidenta Dilma veio novamente anunciar R$ 1,8 bi do orçamento, mais financiamento. Com isso, o governo federal se dispôs a bancar a maior parte dos custos da obra.

Agora, o prefeito Gustavo Fruet anuncia que está pedindo ao governo federal que amplie em mais R$ 463 milhões os recursos orçamentários para o Metrô.

Mantenho meu interesse pelo assunto e a disposição de ajudar a viabilizar as soluções para o nosso transporte público de massa. Mas estou sinceramente perguntando: será essa a melhor solução para termos um sistema eficiente, integrado para toda a região metropolitana e capaz de atender com dignidade a nossa população?

O sistema integrado de ônibus, que fez fama internacional para Curitiba, está se desmanchando. Atitudes demagógicas de Beto Richa, que usou a tarifa para se eleger e para se reeleger, parecem ser a principal razão para o desequilíbrio financeiro do sistema.

Em 2012, reconhecendo o problema, o já governador, na tentativa de reeleger seu candidato à prefeitura, ofereceu subsídio financeiro do Estado para reequilibrar as contas do sistema integrado. E depois da eleição mudou o discurso, dizendo não ser correto que o Estado se responsabilize por despesas dos municípios.

O resultado foi o rompimento da integração, com tarifas muito mais altas para os usuários das cidades vizinhas. E vemos notícias com cenas de pessoas, principalmente mulheres, em situação vexatória de se disporem a pular as catracas em terminais, por não terem como pagar passagens tão caras.

Depois de escrever no Facebook, li que o ex-