30 de outubro de 2013
por Esmael Morais
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Mal biografado, Zé Dirceu se diz contra a censura

do Brasil 247 Pela primeira vez, o ex-ministro José Dirceu falou sobre o livro “Dirceu”, escrito pelo jornalista Otávio Cabral, editor de Veja. Segundo ele, trata-se uma obra repleta “erros”, “impropriedades” e “inverdades”. Ou seja, uma obra de ficção, apresentada como biogafia não autorizada.

No entanto, apesar das supostas falhas do livro, Dirceu se coloca contra a restrição, defendida por alguns artistas, a biografias não autorizadas. “Em nenhum momento cogitei proibir sua publicação porque acredito e aposto na liberdade de expressão em regime democrático”, diz ele.

O que não significa que Dirceu se coloque contra o debate relacionado ao tema privacidade versus liberdade de expressão. Segundo ele, há uma intolerância dos meios de comunicação, que se mostram refratários a qualquer tipo de regulação.

Leia abaixo seu artigo publicado na Folha:

Entre tapas e beijos

A crítica feroz ao Procure Saber se traduz, na prática, como o medo atávico de nossa mídia a qualquer proposta que signifique regulação

Fiquei estarrecido –e sei que não deveria– com a agressividade da resposta de grande parte da mídia e mesmo de alguns biógrafos à s propostas apresentadas por artistas do Procure Saber no debate sobre as biografias sem autorização.

Embora me espante com o ataque, sou contra a bandeira levantada pelo grupo porque acredito que o direito à  liberdade de expressão e o veto a qualquer forma de censura de natureza política, ideológica ou artística, como diz claramente o artigo 220 da Constituição, é um bem maior que se sobrepõe à  interpretação de proteção à  privacidade do cidadão comum estabelecida pela reforma do Código Civil, em 2001.

Sabemos que artistas e políticos, ao assumirem tais papeis de destaque em sociedades democráticas, abdicam de seu direito à  privacidade absoluta.

A crítica à  causa do Procure Saber deve, portanto, ficar restrita à  saudável esfera do debate das ideias. O que se viu nos últimos dias foi uma reação de intolerância e, como se dizia antigamente, de muita patrulha ideológica, na imprensa e nas redes sociais.

Exemplo maior é a reportagem de capa da revista “Veja” sobre o tema na semana passada.

Fui vítima –isso mesmo, vítima– de uma das piores biografias recentemente publicadas. Mas nada me anima a ser favorável à  atual proibição inscrita no nosso Código Civil que exige autorização do retratado e da família.

A “biografia” escrita sobre mim é um bom exemplo para o debate em questão. Não foi autorizada, porém o mais grave não é o fato de ter sido produzida Leia mais