18 de Março de 2015
por esmael
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Manfredini vê similaridade entre 15 de março e o “Cansei” de 2007. Com uma diferença: agora tem panelas!

manfredini_15marco.jpgO jornalista e escritor curitibano Luiz Manfredini, do PCdoB, em artigo especial para o Blog do Esmael, faz um paralelo das tentativas anteriores de mobilização da direita e o último protesto em 15 de março. Ele vê similaridade entre o movimento “Casei”, de 2007, e a marcha que pediu impeachment de Dilma no domingo em todo o país. Mas adverte: “É preciso levar a sério a trama da direita contra a democracia”. Abaixo, leia a íntegra do artigo.

Levar a sério a trama da direita

Luiz Manfredini*

As manifestações do último domingo, 15, reunindo centenas de milhares de pessoas em várias cidades do país, mas com maior impacto em São Paulo, não devem ser subestimadas. Convocadas por forças de direita e extrema-direita, partidos neoliberais, pelo conservadorismo mais retrógrado e sua área de influência, foram amplamente beneficiadas com um polpudo (e secreto) financiamento empresarial e com a adesão militante da grande mídia privada. Sem ilusões: o movimento expressou um acirramento da luta de classes em nosso país, em que a direita, pela primeira vez desde 1964, colocou massas expressivas na rua e parece disposta ao confronto.

Como afirma André Singer, em seu artigo “Tensão Democrática”, é possível que, a partir dessa grande articulação conservadora, com forte viés golpista (a marca registrada da direita tupiniquim), “a democracia brasileira, restabelecida nos anos 1980, passe a viver um inédito teste de estresse”. Singer prevê uma polarização no processo político brasileiro, em que “a uma manifestação seguirá, cedo ou tarde, uma contramanifestação, e assim por diante”. E mais: estima que o processo de luta seja longo.

Tentativas anteriores da direita, de articular-se num movimento de massas fracassaram. Em 2005, quando do (impropriamente) chamado mensalão, a ideia de impedir o então presidente Lula morreu na praia. Dois anos depois, o “Cansei”, patrocinado por “socialites”, esvaziou-se em algumas semanas. O movimento de junho de 2013, também se diluiu em pouco tempo. Agora, ao contrário, a direita colocou milhares nas ruas e promete mais.