11 de dezembro de 2015
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Gleisi Hoffmann: “Violência política contra a mulher presidente”

Violência política contra a mulher presidente

Gleisi Hoffmann*

Neste 10 de dezembro, dia internacional dos direitos humanos, finalizamos os 16 dias de enfrentamento à violência contra a mulher. Por ironia do destino, presenciamos a maior violência política praticada contra mulheres com o início descabido de um processo de impeachment contra a presidenta Dilma.

Violência, sim. Porque violência não é só física, é também verbal, emocional, moral e política. O que fez Dilma para merecer um impeachment? Qual o crime cometido? Recebeu propina? Tem conta no exterior? Barganhou com o Congresso? Interveio na polícia federal para cessarem as investigações da Lava Jato? Pressionou o Procurador Geral da República para parar com os processos?

São as Pedaladas Fiscais? Todos os outros presidentes postergaram pagamentos para bancos públicos. São os decretos de despesas sem anuência do Congresso? Outros também fizeram, inclusive governadores do PSDB.

Querer governar sem ter ganho no voto é violência sim, é golpe.

Dilma é a primeira mulher a governar o Brasil. Forte, corajosa, enfrentou a ditadura, preconceitos, enfrenta barganhas políticas, mal feitos e tem um espírito público inigualável.

Está sofrendo violência por parte de homens que jamais compreenderam que a democracia não será completa sem o p Leia mais

30 de novembro de 2015
por admin
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Coluna da Gleisi Hoffmann: A solidariedade é laranja; 16 dias pelo fim da violência contra as mulheres

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Gleisi Hoffmann*

No dia 25 deste mês começamos a campanha que conta com apoio de outros 70 países, com centenas de ações de mobilização em todo mundo. Pintar o mundo de cor laranja pelo fim da violência contra as mulheres foi iniciativa da ONU para os 16 dias de ativismo.

A cor laranja evoca a solidariedade às mulheres e meninas vítimas de violência e a energia necessária para que superem as situações violentas e recebam o apoio necessário em sua trajetória libertadora.

O assunto entrou nas redes sociais e já começaram as críticas: “Vocês não se cansam de falar besteira hein? Isso é uma generalização maldosa”, dizem sobre violência doméstica. “A violência atinge a todos” falam outros sobre o foco da campanha.

O fato é que a violência contra a mulher é o gene da violência na sociedade. A hierarquia das relações homem/mulher, que persistiu por tanto tempo em nossa sociedade, e ainda persiste sob o manto de cultura, de religiosidade, construiu o “modus operandi” das relações humanas. Onde prevalece a ideia que um ser pertence ao outro, deve-lhe obediência, a violência é instrumento para fazer valer vontades.

Não canso de ouvir histórias de mulheres que ao irem a uma delegacia registrar a violência que sofreram por parte de um homem são questionadas: “o que você fez para apanhar?”

Assim também como não cabe a justificativa da violência sexual pelo “tesão”, pelo “oferecimento” da mulher. Em um artigo muito bom da socióloga, e também cineasta, Tetê Vasconcelos, publicado na Folha de São Paulo do dia 27, ela diz: “homem algum estupra uma mulher por tesão. Estupra, bate e assedia para provar e comprovar seu poder sobre essa metade da humanidade”.

Milhares de mães, avós, meninas, jovens são mortas todos os anos em nosso país. Os números da violência contra a mulher ainda são assustadores no Brasil e em todo o mundo. Precisamos fortalecer a luta contra esse grave problema que abusa, tira direitos, dignidade, amedronta e cala mulheres todos os dias.

Publicado recentemente, o Mapa da Violência 2015 focou na dinâmica dos homicídios femininos nos últimos anos. Entre 1980 e 2013, num ritmo crescente ao longo do tempo, tanto em número quanto em taxas, morreram 106.093 mulheres, vítimas de homicídio. Efetivamente, o Leia mais