1 de abril de 2014
por Esmael Morais
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Zeca Dirceu: “Da ditadura militar à  ditadura da mídia e do judiciário”

Zeca Dirceu*

Os 50 anos do Golpe de 64 potencializaram nas últimas semanas as discussões sobre a ditadura militar. Toco nesse assunto com a certeza de que esse período de mais de duas décadas, manchado por torturas e mortes, marca a história de guerreiros que lutaram pela liberdade social do nosso país.

Confesso que a nossa recente democracia, que já alcançou grandes vitórias, ainda precisa evoluir muito. Não sofremos mais das ordens militares armadas, com perseguição e exílio, mas ainda convivemos com os abusos de uma mídia preconceituosa de direita, que manobra a opinião pública e, surpreendentemente, nos deparamos com a força autoritária de uma justiça que age com dois pesos e duas medidas, culminando em prisões injustas.

Digo isto de coração aberto, como filho de José Dirceu, um líder da resistência, que em 1968 foi preso e deportado do país por sonhar com um Brasil onde os cidadãos pudessem ser atores políticos e donos de sua própria forma de expressão, numa época em que se falar em pobreza, igualdade social e acesso à  saúde significava ser taxado de comunista.

Fico emocionado ao lembrar do sofrimento da minha avó que ficou 10 anos sem notícias do seu filho e da preocupação da minha mãe que a todo momento temia que eu fosse sequestrado como forma de retaliação dos militares. Quando os resultados desse sacrifício começaram a acontecer, o pesadelo voltou.

Meu pai vive hoje mais uma vez a prisão, depois de um julgamento sem provas, injusto e pautado pela grande imprensa. Ele paga o preço caro por ter lutado contra a ditadura e participado a partir da década de 80 do processo de redemocratização do país, quando ajudou na fundação e teve papel decisivo na construção do maior partido político do Brasil, o PT. Assume com coragem o fato de ser um homem que não nega a superação de grandes desafios, como no caso em que, junto com outros companheiros, atuou na instauração da CPI que teve como consequência o impeachment do Collor.

Aos 68 anos de idade, O Zé guerreiro do povo brasileiro! carrega nos ombros o peso por ter contribuído na construção de um projeto político que levou o primeiro siderúrgico a ocupar o cargo de presidente do Brasil e a tirar mais de 36 milhões de brasileiros da miséria.

Hoje, condenado ao regime semiaberto, meu pai está mantido há mais de 130 dias em regime fechado, sem autorização para trabalhar. Um absurdo incabível! Uma prova de que ainda estamos submetidos a padrões ditadores e autoritários que não respeitam o ser humano e seus direitos constitucionais.

Para provar a parcialidade no tratamento do caso, na semana passada o STF- Supremo Tribunal Federal concedeu corretamente a Eduardo Azevedo !“ do PSDB, o direito de ser julgado no mínimo em duas instâncias judiciárias, o que foi negado a meu pai. O STF provou ser justo com o PSDB e injusto com o PT, isto é inaceitável!

Como se tudo ainda fosse pouco, meu pai ainda é acusado de se favorecer de privilégios na cadeia. Uma piada de mau gosto se o observador fizer uma reflexão mais profunda e observar a verdade, longe da superficialidade enganadora da comunicação de massa. Qual é o privilégio? Ser julgado sem direito a recurso? Qual é o privilégio? Ser condenado sem provas? Qual o privilégio? Ser condenado a semiaberto e cumprir em regime fechado?

à‰ assim que a oposição, que não consegue nos vencer nas urnas, tenta nos destruir com o seu poder típico rasteiro. Não irá funcionar, porque continuamos com punhos cerrados e não fugimos da luta. Não teremos medo de enfrentar novamente a repressão da grande mídia maquiada com o rótulo mentiroso da transparência e venceremos mais uma vez a noite escura, desta vez assombrada pelo autoritarismo judiciário.

A prisão, por um determinado tempo, poderá continuar a conter a ação física dos revolucionários dos anos 60 e 70, mas nunca conseguirá aprisionar os seus ideais e sonhos. O trabalho continua forte porque a nossa disposição em executar este grande projeto político pelo povo brasileiro é gigante.

*Zeca Dirceu é deputado federal pelo PT do Paraná.

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1 de abril de 2014
por Esmael Morais
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Anos Rebeldes: estudantes vão arrastar busto de reitor que idealizou ensino pago na UFPR

Grupo ligado ao movimento estudantil chamado "Levante Popular da Juventude", nesta terça-feira, 1!º de abril, à s 18 horas, vai arrastar novamente o busto do ex-reitor da UFPR, Suplicy de Lacerda, em protesto pelos 50 anos de golpe militar no Brasil; ex-ministro da Educação no governo ditatorial de Castelo Branco queria implantar o acordo MEC-USAID na escola técnica; gesto que será repetido hoje foi realizado pela primeira vez em maio de 1968, estopim para perseguições, prisões, torturas e desaparecimentos promovidos pelos golpistas na capital paranaense.

Grupo ligado ao movimento estudantil chamado “Levante Popular da Juventude”, nesta terça-feira, 1!º de abril, à s 18 horas, vai arrastar novamente o busto do ex-reitor da UFPR, Suplicy de Lacerda, em protesto pelos 50 anos de golpe militar no Brasil; ex-ministro da Educação no governo ditatorial de Castelo Branco queria implantar o acordo MEC-USAID na escola técnica; gesto que será repetido hoje foi realizado pela primeira vez em maio de 1968, estopim para perseguições, prisões, torturas e desaparecimentos promovidos pelos golpistas na capital paranaense.

Membros do Levante Popular da Juventude prometem repetir gesto de 46 anos atrás: arrastar novamente o busto do ex-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Flávio Suplicy de Lacerda, pelo centro da capital paranaense. ... 

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28 de março de 2014
por Esmael Morais
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Lula sobre os 50 anos do golpe: “à‰ preciso garantir a democracia”; assista

do Brasil 247
Em um vídeo gravado pelos 50 anos do golpe militar de 64, o ex-presidente Lula reforça a importância da democracia e lembra que ela “não é nenhum pacto de silêncio”, mas um meio para que a sociedade saia à s ruas e reivindique seus direitos. Ele faz um alerta de que é preciso garantir a democracia. Desta forma, “este País será o que queremos”. Leia abaixo mensagem publicada pelo Instituto Lula nesta sexta-feira e assista ao vídeo:

“Este país será o que queremos se conseguirmos garantir a democracia”, diz Lula sobre golpe militar

São Paulo, 28 de março de 2014,

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo sobre os 50 anos do golpe militar no Brasil. Em sua mensagem, ele lembra que que aquele momento histórico “suspendeu nosso regime democrático, revogou liberdades essenciais, prendeu milhares de militantes políticos e fez com que outros tantos tivessem que sair do país”.

Lula ressalta que as lembranças da ditadura devem servir para valorizarmos “ainda mais o período democrático que o Brasil vive hoje”. Apenas em períodos de democracia “trabalhadores, mulheres, todos os segmentos sociais podem chegar ao poder pois têm o pleno direito de expressão e manifestação”, afirma o ex-presidente.

O direito à  livre manifestação é enfatizado por Lula, que ressalta a importância da participação popular na democracia: “Apenas em uma democracia o povo pode ir à s ruas reivindicar seus direitos pois a democracia não é nenhum pacto de silêncio, é a sociedade em movimento buscando novas conquistas”.

“Devemos sim lembrar nosso passado, lamentar o período sombrio pelo qual passamos, mas sobretudo lutar a cada dia para ampliar a nossa democracia, incluindo cada vez mais gente e fazendo com que nosso sistema político represente cada vez melhor o povo brasileiro. (…) Este país será o país que queremos se conseguirmos garantir a democracia”, finaliza Leia mais