1 de abril de 2016
por admin
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Coluna do Bruno Meirinho: No dia da mentira, lembremos o golpe de 64

Bruno Meirinho*

52 anos depois do golpe militar praticado no 1º de abril de 1964, a ameaça do golpismo volta a ser realidade. Como toda ameaça golpista, esta que vivemos hoje se sustenta em mentiras, que ditas centenas de vezes pelas mídias são convertidas em verdade.

O pedido de impeachment levado à Câmara dos Deputados propõe ter havido crime de responsabilidade nas pedaladas fiscais. De enquadramento estritamente técnico, e difícil compreensão na linguagem comum, a pedalada fiscal é um atraso no repasse de recursos públicos a algumas instituições do governo federal, permitindo que o orçamento feche no azul.

Mas tem gente que defende o impeachment alegando que Dilma “roubou”.

As pedaladas fiscais não podem ser um motivo cabal para o impeachment, afinal foram praticadas muitas vezes em governos anteriores e também atualmente por governos estaduais. Trata-se de uma manipulação contábil que pode ser proibida, e rigorosamente fiscalizada, mas puni-la de pronto hoje é mera manobra de perseguição à Dilma.

Certamente, Dilma não faz um bom governo. Criticada pelos movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores e pela maioria de seus eleitores, a presidenta não demonstra esforço para corresponder às expectativas da campanha “Coração Valente”.

A oposição de direita, por sua vez, já alimenta a repulsa à Dilma desde muito antes. Ao final de uma eleição disputada, o candidato da oposição foi votado por mais de 50 milhões de pessoas. No universo de 105 milhões de votos, uma diferença de apenas 3,5 milhões em relação à presidenta eleita, muito pouco. Os oposicionistas viram aí a chance do “terceiro” turno.

Mas é preciso respeitar a vontade consagrada da maioria absoluta. Seja com a diferença de votos que for, houve um resultado legítimo. Por isso, Dilma ocupa o cargo, mesmo com a insatisfação de milhões de pessoas. E não seria diferente se o resultado tivesse sido o oposto, dad Leia mais