Rússia usa caminhões de propaganda orwelliana em Mariupol

A Rússia implantou caminhões de propaganda móvel com televisores de tela grande para pontos de ajuda humanitária na cidade capturada de Mariupol, enquanto o Kremlin avança nos esforços para integrar territórios recém-ocupados no sul da Ucrânia.

Vídeos publicados pelo ministério russo de situações de emergência mostraram caminhões, que chamou de “complexos de informações móveis”, passando por segmentos de notícias da TV estatal e programas de bate-papo políticos onde especialistas apoiam a invasão de moradores na cidade em ruínas que ainda carece de eletricidade e água encanada.

A virada orwelliana vem tanto quanto Mariupol foi destruída em um bombardeio de artilharia que deixou milhares de mortos. Um dos caminhões foi posicionado perto das ruínas do teatro Mariupol, onde centenas foram mortos em um ataque aéreo em março.

Vários dos caminhões agora patrulham a cidade, transmitindo principalmente segmentos de notícias da televisão russa.

– O povo de Mariupol foi mantido em um vácuo informacional virtual por três meses devido à falta de eletricidade – escreveu o ministério de emergências em comunicado.

As telas móveis teriam sido implantadas em locais onde os moradores de Mariupol estão recebendo ajuda humanitária, documentos russos e em pontos da cidade onde há água potável.

– A prática de ‘não há nada para comer, então alimente-os com mentiras’ está ganhando força – escreveu Petro Andryushchenko, conselheiro do prefeito ucraniano de Mariupol. É “cinismo do mais alto nível”.

– A verdade e a propaganda – escreveu Anton Gerashenko, assessor do Ministério do Interior ucraniano, postando um vídeo dos caminhões sobrepostos às imagens das ruínas da cidade. Este é “o mundo russo”, acrescentou.

Sobre a propaganda orwelliana

O escritor britânico George Orwell descreveu em seu livro “1984” como “uma bota pisoteando um rosto humano –para sempre”.

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O romance orwelliano retrata um regime totalitário que reprime a dissidência por meio da violência e da perversão da linguagem.

Por André Roth, no The Guardian – com acréscimo do Blog do Esmael.