Requião Filho: Herança maldita nas tarifas de energia da Copel

► Em primeiro lugar os acionistas, depois o mercado e o governo, e só por fim a população

► Enquanto o povo decide se paga a água ou a luz para não passar fome, empresários da estatal comemoram lucros para investir nos bolsos deles mesmos

Por Requião Filho*

Qual o legado que um grande governo deve deixar? Se você pensou em responder, políticas públicas com prioridade no desenvolvimento de seu povo, se enganou redondamente.

A atual gestão da Copel, estatal paranaense, que deveria servir aos paranaenses, mudou o foco nos últimos anos e, agora, amarrou um trágico castigo que será pago por você e pelas próximas gerações de todo Paraná. Colocaram agora no estatuto da companhia a obrigatoriedade de reajuste nas contas de energia, sempre pelo percentual máximo, autorizado pela ANEEL, precisando o Estado ou não.

Uma herança maldita que significa tarifas de energia cada vez mais caras e menos investimento no Paraná. Sim, porque com uma conta de luz muito cara, ficará difícil uma empresa ou uma indústria se sustentar por muito tempo. Pagará o consumidor final, a dona de casa, o empreendedor, o profissional liberal, o pai de família, o professor, o aposentado, o agricultor e todos os seus descendentes, pelo resto da eternidade.

O clima nos bastidores do Governo e da estatal é de comemoração. E sem perder a compostura, o diretor da Copel ainda afirmou em entrevista recente que a preocupação deles agora é ser eficiente, em primeiro lugar, para agradar a empresa, os acionistas, depois o mercado e em quarto lugar a sociedade em geral. Ou seja, o povo do Paraná fica em último lugar na visão daquele que representa o governador Ratinho Junior naquela que deveria ser a nossa companhia de energia.

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Privatizaram a Copel na surdina, garantindo o poder aos acionistas em detrimento da população paranaense. Quão absurdo é isso? Essa é a condução do mercado privado no Estado, o Robin Hood das araucárias tira dos pobres e dá aos ricos, donos de ações, de fatias pomposas, que por muitas vezes estão longe do Paraná e não escutam o grito dos inocentes.

*Requião Filho, advogado, deputado estadual pelo PT do Paraná.