Privatização da Copel. Quem vai pagar esta conta?

O deputado Requião Filho (PMDB) afirma em sua coluna que o governo Beto Richa (PSDB) repete Jaime Lerner ao tentar destruir a estatal de energia dos paranaenses. O colunista escreve nesta terça (20) que a privatização significa o extermínio da Copel, cujas ações estão sendo “doadas” aos rentistas. “… a conta, mais uma vez, vai ser paga pela população”, lamenta.

Privatização da Copel. Quem vai pagar esta conta?

Requião Filho*

O Governo do Paraná deu a arrancada para acelerar o processo de privatização da Copel e a conta, mais uma vez, vai ser paga pela população. As ações estão, gradativamente, passando para as mãos dos investidores, sem nenhum compromisso com as políticas sociais. Em meio a este cenário de caos, as ações vêm despencando. Nas últimas semanas chegaram a cair 7,69% em apenas um dia.

Foi-se o tempo em que a empresa era o “ouro” do Paraná, revertendo seus lucros em compromisso social, por meio de programas como a tarifa social, irrigação noturna e outros benefícios. Mas esta vocação pelo social teve seu fim.

Como se não bastasse e no grande estilo “o melhor está por vir”, o Governo prepara uma oferta de venda de ações da Copel no importe de 4 bilhões de reais.

A motivação da venda é simplista. Alega que é necessária a captação de recursos rapidamente, formando “Capital de Giro” para cobrir compromissos e obrigações de curto prazo, que hoje corresponde à ordem de 2,7 bilhões de reais.

Em setembro de 2016, a Assembleia Legislativa do Paraná aprovou uma Lei autorizando o Poder Executivo a alienar ações que excedam 51% das ações ordinárias da Copel, desde que respeitado o valor patrimonial dos papeis, que em março era de R$56,80.

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No mercado, porém, a liquidez das ações tem sido negociada a menos da metade desse valor. No pregão do dia nove deste mês, mesmo com o crescimento de 0,41%, as ações foram negociadas a R$ 21,99. Muito abaixo da exigência legal.

A política de hoje é a de extermínio da Copel. Venda de ações a qualquer custo. Política esta totalmente diferente da adotada no governo anterior, de sucesso comprovado e que deveria ter sido seguida, na qual os lucros ficavam em sua maior parte na empresa e não para acionistas. Havia reserva de lucros para solver compromissos momentâneos.

Poupança necessária.

De forma conservada e comprometida com o interesse público, evitava a entrada no mercado realizando o contingenciamento de recursos financeiros no curto prazo.

O Paraná já viu este filme durante o Governo Jaime Lerner, que desembocou na tentativa de privatização da companhia. A população rechaçou esta forma de administração e brigou pela Copel.

Nas urnas, em 2002, deu a resposta à altura, abrindo espaço para um novo modelo de gestão, um modelo que protege as empresas públicas.

Todos puderam observar que de uma empresa prestes a ser vendida com alto endividamento, contratos totalmente lesivos e prejudiciais, acumulando prejuízos incalculáveis a época, uma Copel forte e premiada mundialmente surgiu, enchendo de orgulho o povo paranaense.

Em oito anos, a Copel foi saneada. Cresceu, manteve investimentos, contratos lesivos foram rescindidos, tornou-se referência, maiores investimentos, baixo endividamento, sempre com o comprometimento social, praticando as menores tarifas do setor elétrico do país, sem deixar de gerar resultados crescentes.

Exemplo de como fazer dar certo o atual Governo tem, basta querer.

*Requião Filho é deputado estadual pelo PMDB do Paraná.

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