Nem aí com pesquisas, Requião participa de lançamento de livro de Rodrigo Vianna, jornalista do Brasil 247

O ex-senador Roberto Requião, pré-candidato ao governo do Paraná, torceu o nariz para as pesquisas de intenção de votos a três meses das eleições. Ele costuma dizer que essas sondagens não mudam a realidade, mas ele sim – na condição de agente político – pode mudar a realidade.

Indiferente com uma pesquisa IRG/DataRato, que dá vantagem para o governador cessante Ratinho Junior, Requião confirmou que irá no lançamento do livro do jornalista Rodrigo Vianna, apresentador da TV Brasil 247, no próximo sábado (09/07), às 12h, no Restaurante Nina, em Curitiba.

– Se eu quero comprar peixe, vou à peixaria. Seu eu quero comprar pesquisa, vou ao Ibope – disse Requião na campanha de 2002, quando o instituto apontava sua derrota. Na época, ele venceu a disputa pelo Palácio Iguaçu.

– Pesquisas internas de nossa pré-campanha nos asseguram que ganharemos o governo no primeiro turno. Vamos consertar o Paraná. Teremos um governo de verdade e não uma farsa de milionários – declarou nesta terça-feira (05/07) no Twitter.

Rodrigo Vianna virá à capital paranaense no sábado para lançar “De Lula a Bolsonaro – combates na Internet“, pela Kotter Editorial.

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Sobre o livro de Rodrigo Vianna

Jornalista Rodrigo Vianna lança em Curitiba livro "De Lula a Bolsonaro – combates na Internet"
Jornalista Rodrigo Vianna lança em Curitiba livro “De Lula a Bolsonaro – combates na Internet”, no sábado (09/07), com a presença de Roberto Requião.

Esta coletânea de textos jornalísticos ajuda a recuperar os debates que marcaram o país ao longo da turbulenta segunda década do século XXI, permitindo um duplo mergulho: de um lado, o leitor revisita os embates e impasses políticos, lendo uma crônica dos acontecimentos narrados a quente; de outro, acompanha como esses debates se deram num meio até então pouco conhecido no Brasil – a internet.

Sim, este é também um livro sobre o momento raro em que blogs e redes sociais passaram a ocupar espaço central no debate político. O autor não observou isso tudo de longe. Ao contrário, esteve mergulhado na construção de um campo que se consolidou a partir de 2010 com os encontros de blogueiros progressistas e a organização do Centro de Estudos Barão de Itararé.

José Serra, o candidato do PSDB a presidente em 2010, foi padrinho involuntário desse movimento, ao classificar como “blogs sujos” todos aqueles que não se alinhavam com a mídia corporativa brasileira. Serra não sabia que os blogueiros costumavam se reunir num restaurante de São Paulo chamado Sujinho, e que por isso adotaram com gosto o apelido que ele lançara como xingamento.

Escrevinhador era um desses blogs. Criado em 2008, por sugestão de Luiz Carlos Azenha – ele próprio pioneiro da blogosfera –, surgiu como sítio independente, sem vinculação com portais de notícias ou organizações políticas.

Quase todo o material reunido nesta coletânea tem como origem o Escrevinhador. As exceções são dois textos publicados como capítulos de livros sobre o golpe de 2016, bem como alguns posts mais recentes do Brasil 247 – site onde o autor hoje atua, como articulista e apresentador de programas jornalísticos.

O livro mostra a estranha travessia vivida pelo Brasil: do crescimento econômico com redução das desigualdades e projeto nacional independente, que colocou o país entre as nações mais importantes do planeta, no governo Lula, ao avanço do autoritarismo com a volta da fome, além da morte de mais de meio milhão de brasileiros durante a pandemia, na gestão Bolsonaro.

O livro lembra que esses embates vem de longe, e são a continuação do velho “fio da história”: o ciclo Lula/Dilma significou de alguma forma o encontro do PT com a melhor tradição trabalhista, inseparável da construção do moderno Estado nacional.

Depois da surpreendente trajetória, na última década, o Brasil decide se vai reatar o fio da história. E pela segunda vez pode ser Lula a liderar o projeto de reconstrução nacional, num cenário ainda mais difícil do que encontrou ao chegar ao poder pela primeira vez, em 2003.