Motoboy não é obrigado comparecer à CPI da Pandemia, decide Nunes Marques

Motoboy não é obrigado comparecer à CPI da Pandemia, decide Nunes Marques

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), desobrigou nesta o motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva de comparecer à CPI da Pandemia para depor nesta terça-feira (31/08). Na decisão liminar, caso Ivanildo compareça à comissão de inquérito, ele poderá permanecer em silêncio diante de perguntas dos parlamentares; ser auxiliado por um advogado; não ser submetido ao compromisso de dizer a verdade; e não sofrer constrangimentos físicos e morais por conta do exercício dessas prerrogativas.

“Pelo visto, a VTClog é realmente MUITO poderosa. Que segredos o motoboy esconde? Respeitamos a decisão do ministro Nunes Marques, mas iremos recorrer da decisão!”, escreveu no Twitter o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI e autor do requerimento de convocação do motoboy.

Para o parlamentar, Ivanildo da Silva é um “aparente intermediário em esquemas duvidosos da empresa VTCLog”.

Randolfe argumenta que é preciso ouvi-lo, pois apesar de ser “apenas um motoboy”, com salário em torno de R$ 2 mil, ele é responsável por cerca de 5% de toda a movimentação atípica feita pela VTCLog, empresa que se tornou alvo de uma das principais linhas de investigação da CPI.

A VTCLog é responsável por fazer a logística com contratos e transportar insumos, inclusive vacinas, para o Ministério da Saúde. Randolfe destaca que a empresa está “no centro dos escândalos de corrupção” envolvendo o Ministério da Saúde.

Ainda de acordo com o requerimento, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a VTCLog movimentou de forma suspeita R$ 117 milhões nos últimos dois anos. O nome de Ivanildo Gonçalves da Silva é citado várias vezes no documento. Ele teria sacado, em diversos momentos, o montante de R$ 4,7 milhões, sendo a maioria de saques em espécie e na boca do caixa.

De acordo com a liminar de Nunes Marques, não conexão entre Ivanildo e os fatos investigados pela CPI da Pandemia.

“Não há, assim, congruência entre os fatos determinantes da abertura da CPI ― políticas públicas no enfrentamento da pandemia que alcançou o Brasil em 2020 ― e aqueles que serviram de fundamento para a convocação do impetrante: movimentação financeira da VTClog sem determinação do período; saques pelo impetrante, nos últimos dois anos, de altos valores destinados a sua empregadora; relação de confiança da empresa VTClog com o impetrante; e transporte, em sua moto, de R$ 430 mil, em 24 de dezembro de 2018, ‘noite de Natal’”.

Então, tá.

Leia também

Ratinho Junior reaparece em público com Ricardo Barros, líder de Bolsonaro na Câmara, investigado na CPI

Motoboy pode ter feito delivery com propina de vacinas, suspeita CPI da Pandemia

Roberto Jefferson desmaiou na prisão ao saber de denúncia da PGR