Moro entrega a rapadura: a Lava Jato combateu o PT, não a corrupção

Moro entrega a rapadura: a Lava Jato combateu o PT, não a corrupção

O suspeito ex-juiz Sergio Moro (Podemos), pré-candidato a presidente, cometeu um ato falho que corroborou a tese segunda qual a operação Lava Jato jamais combateu corrupção, mas sim atuou como movimento político contrário ao Partido dos Trabalhadores (PT).

“Tudo isso por medo do quê? Do PT? Não. Tem gente que combateu o PT na história de uma maneira muito mais efetiva, muito mais eficaz. A Lava Jato”, disse Moro nesta quarta-feira (29/11) durante entrevista na Rádio Capital FM, de Mato Grosso [abaixo, assista ao trecho da entrevista].

Se a Lava Jato combateu o PT de forma efetiva e eficaz, como disse Sergio Moro, a força-tarefa de fato cometeu crime e operação agiu à margem da lei.

Após confirmar ilegalidade da Lava Jato, entregando a rapadura, o ex-juiz imediatamente deu uma marcha à ré dizendo que a força tarefa apenas descobriu “os esquemas de corrupção e mostrou o que o PT verdadeiramente é”. Mas aí a Inês já era morta.

O ato falho, segundo Freud, é um ato que difere do seu significado do qual a intenção consciente do sujeito desejaria expressar.

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Em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu Sergio Moro como um juiz parcial nas ações que julgou contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ato contínuo, a corte anulou as condenações dos casos triplex, sítio de Atibaia e Instituto Lula.

Na Lava Jato, Moro fez coisas que até Deus duvida: conduziu Lula coercitivamente sem prévia intimação para oitiva, realizou interceptações telefônicas do ex-presidente, familiares e advogados antes de adotadas outras medidas investigativas e divulgação de grampos para veículos de comunicação.

A falta de imparcialidade de Moro viabilizou a reabilitação política de Lula, que agora é ficha limpa e lidera todas as pesquisas de intenção de votos para as eleições de 2022.

Sergio Moro foi o responsável por sentenciar o petista, que ficou 580 dias presos em Curitiba, em 2018, quando ele liderava a corrida presidencial. Sem o principal candidato do PT no páreo, Jair Bolsonaro ganhou a eleição e, como prêmio, o ex-juiz virou ministro da Justiça –cargo que ocupou durante um ano e 4 meses.

De acordo com a Operação Spoofing, em conluio com procuradores, Moro indicou testemunha que poderia colaborar para a apuração sobre Lula, orientou a inclusão de prova contra um réu em denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público Federal, sugeriu alterar a ordem de fases da operação Lava Jato e antecipou ao menos uma decisão judicial.

Enfim, o deputado Glauber Rocha (PSOL-RJ) disse que Sergio Moro foi um “juiz ladrão” na vigência da Operação Lava Jato entre os anos de 2014 e 2021.

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), disse que Moro escancara sua parcialidade e confessa que Lava Jato foi pra combater o PT. Segundo ela, o projeto político sempre esteve claro, a toga só foi um trampolim. “Ajudou a eleger um traste e a destruir o país e agora se apresenta como a solução. Juiz corrupto e cara de pau!”, disparou a dirigente petista.

Assista ao trecho da fala de Sergio Moro [vídeo]