Macron despenca na França; cai o último “exemplo” para a centro-direita brasileira

O presidente francês Emannuel Macron, uma espécie de geleia que chegou ao poder sem dizer se era “esquerda” ou “direita”, entrou em declínio depois de apenas três meses de mandato.

A popularidade de Macron despencou 10 pontos após entrevero — e renúncia — com o general Pierre de Villiers, chefe do Estado-Maior do Exército, em virtude de disputa do orçamento.

Tido como “exemplo” político para a centro-direita brasileira, Emannuel Macron deixou uma legião de presidenciáveis órfãos de farol para as eleições de 2018. Alguns dos principais candidatos ao Palácio do Planalto pretendiam copiar o jeito geleia de ser do francês, isto é, sem posições claras sobre assuntos importantíssimos para a Nação.

Um ex-banqueiro europeísta e liberal, Macron fez o discurso contra a política, pela renovação moderada, em momento que o eleitor estava cansado da elite e desencantado com o capitalismo. Os franceses se deram muito mal pela escolha errada que fizeram.

Como se vê, caríssimo leitor, a disputa eleitoral do ano que vem no Brasil será marcada pelos extremos. Quem melhor radicalizar o discurso em defesa de teses — tal qual Bernie Sanders (EUA) e Jeremy Corby (Inglaterra) — que semeie esperança ao invés de ódio e xenofobia terá uma vantagem competitiva em relação aos adversários. Quem tentar ficar no meio disso tudo, possivelmente, será esmagado pela realidade concreta do país.

Abaixo, leia a reportagem do alemão Deutsche Welle:

Popularidade de Macron despenca

Declínio de dez pontos percentuais é o segundo maior de um presidente após três meses no poder e leva imprensa francesa a questionar se lua de mel com os eleitores estaria começando a acabar.

A popularidade do presidente da França, Emannuel Macron, caiu dez pontos percentuais entre junho e julho, apontou neste domingo (23/07) o semanário Le Journal du Dimanche. É o segundo maior declínio de um presidente após três meses no poder, depois da queda de 15 pontos de Jacques Chirac, em 1995, de 44% para 29%.

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De acordo com a pesquisa realizada pelo instituto Ifop entre 17 e 22 de julho, 54% dos franceses estão “bastante satisfeitos” com o social-liberal Macron – a taxa era de 64% em junho. Os descontentes aumentaram de 35% para 43% no mesmo período, incluindo os 15% que disseram estar “muito insatisfeitos”.

Entre os motivos para a forte queda está a renúncia do general Pierre de Villiers, chefe do Estado-Maior do Exército, após uma disputa pública sobre a limitação orçamentária imposta por Macron. De Villiers estava descontente com o corte de 850 milhões de euros previstos neste ano para o Ministério da Defesa, apesar da garantia dada por Macron de que, em 2018, a pasta teria um orçamento de 34,2 bilhões frente aos 32,7 bilhões de euros de 2017.

A crise colocou em xeque a postura de Macron, que procurou projetar uma imagem de autoridade desde que assumiu a presidência. A imprensa francesa passou a questionar se estaria perto do fim a lua de mel de Macron com os eleitores. O jornal de centro-esquerda Libération acusou Macron de lançar um “ajuste um pouco autoritário” e sugeriu que ele “crescesse um pouco”.

Pouco depois de assumir a presidência, Macron foi elogiado por se manter firme perante os presidentes americano e russo, Donald Trump e Vladmir Putin, e ganhou uma sólida maioria no Parlamento em junho. Porém, dois meses na presidência trouxeram desafios.

A imprensa e os opositores políticos passaram a questionar se o domínio de Macron sobre o Parlamento poderia levá-lo a concentrar o poder. O líder, de 39 anos, apoiou uma lei polêmica para intensificar as leis contra o terrorismo na França, que incluem medidas que os grupos de direitos humanos dizem ser draconianas.

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Além disso, os franceses se preocupam com a planejada reforma trabalhista. Macron ganhou as eleições pregando uma política de centro-direita mais inclusiva, mas agora planeja cortar a assistência à habitação para moradores de baixa renda. Ele também rejeitou a ideia do primeiro-ministro, Edouard Philippe, de reduzir impostos em 2018.

Philippe perdeu oito pontos percentuais na mais recente pesquisa de popularidade: 56% dos entrevistados se dizem satisfeitos com seu desempenho. O instituto de pesquisas Ifop ouviu 1.947 eleitores entre os dias 17 a 22 de julho.

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