Lula diz querer reconstruir o Brasil em quatro anos e descarta reeleição em 2026

► Ex-presidente disse que vai deixar o país “tinindo” para geração de novos dirigentes

Em entrevista ao vivo à Rádio Metrópole, da Bahia, na manhã de hoje, 1º de julho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que é candidato para reconstruir o Brasil, lutar contra a fome, a miséria e a pobreza, gerar emprego, diminuir a inflação, aumentar o salário e cuidar da questão climática, com respeito a todos os biomas, mas sobretudo da Amazônia.

– Não vou ser um presidente que está pensando na sua reeleição, mas de governar o país quatro anos e deixá-lo tinindo para que o brasileiro recupere, definitivamente, o bem estar social, a alegria e o prazer de viver, o prazer de ser baiano, o prazer de ser brasileiro – acrescentando que sua tarefa é reconstruir o Brasil e juntar a inteligência brasileira para ajudá-lo na missão de mostrar que é possível o país voltar a ser feliz, as pessoas voltarem a trabalhar, a comer, a cuidar das famílias e a serem felizes.

– Tenho quatro anos da minha vida para dedicar a cuidar desse povo. Quero cuidar desse povo, quero cuidar do país, quero cuidar do estado, quero estabelecer uma relação irmã com os governadores e com os prefeitos porque não é possível um país dar certo com você brigando, estimulando o ódio, estimulando divergências – declarou.

Lula afirmou ainda que não será um candidato nervoso, nem raivoso nem bravo, mas alguém com consciência do que o Brasil representa e das necessidades do povo brasileiro. “E é com essa cabeça e com o coração aberto, o coração de um homem apaixonado, que está exalando alegria e disposição de trabalhar, que eu vou ajudar a cuidar da Bahia, de Pernambuco, de São Paulo, a cuidar do Rio Grande do Sul, a cuidar do povo brasileiro”.

– O que quero com o Geraldo Alckmin (PSB) é recuperar o país, deixar preparado, gerar emprego, combater a fome, para recuperar a nação. Não vou ser um presidente que vai pensar na reeleição, quero dar 4 anos da minha vida para esse país e depois gente mais nova disputa a eleição – disse o ex-presidente, citando seu vice.

Para o petista, a votação de 2018 foi uma votação nervosa, baseada no ódio e mentiras. “O que estamos colhendo hoje é fruto disso. Precisamos restabelecer a normalidade do Brasil.”

– Nós vamos fazer as coisas de maneira diferente no Brasil. Eu gosto muito de conversar, e quero conversar com o Congresso, com governadores e prefeitos, para resolver a questão da fome e os problemas do povo brasileiro – sinalizou na entrevista ao jornalista Mário Kertész.

Lula disse que, se eleito, ele vai criar uma plataforma de orçamento participativo federal, para a sociedade opinar para onde vai o seu dinheiro do orçamento, “para ir dinheiro para os mais pobres, não ir só o que sobra, só o bagaço”.

O ex-presidente descartou ainda uma gestão de vendeta: “Eu não quero saber de me vingar de quem me causou mal. Eu quero que o povo pare de sofrer com o mal que fizeram ao país.”

– Eu tenho 4 anos para dedicar cada minuto para fazer mais do que eu fiz em 8, para entregarmos um Brasil feliz, com bom salário, previdência. Um país que não deixe uma pandemia matar mais de 600 mil pessoas com um presidente sem derramar uma lágrima por ninguém – declarou.

– Quero estudar todas as experiências novas de gestões. Temos uma leva de governadores novos, gerações nas universidades. Quero juntar esse conhecimento para promover uma transformação no Brasil.

O ex-presidente disse que o campo progressista precisar eleger deputados, montar um time, para o país voltar a normalidade.

– Se eu ganhar as eleições, vou viajar pelo mundo para restabelecer a relação que o Brasil tinha com o mundo. Para que voltem a acreditar na capacidade de investimento no Brasil, não para comprarem nossas empresas públicas – antecipou.

Lula também deu uma canelada no presidente cessante Jair Bolsonaro (PL), que insiste em questionar a urna eletrônica que o elegeu várias vezes deputado e uma vez ao Palácio do Planalto.

– Não tem um deputado, um prefeito, um governador questionando a urna eletrônica, só ele. O que ele quer é criar confusão. Porque o problema dele não é a urna, é o povo. Por isso que ele mandou aumentar o auxílio, que era algo que o PT queria – disparou o ex-presidente Lula.

Assista a íntegra da entrevista com Lula: