Lula busca votos entre 79% das famílias superendividadas no País, enquanto Bolsonaro finge que não é com ele

Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que 79% das famílias brasileiras estão endividadas.

O número de superendividados no País aumentou com desestabilização da economia e o crescente desemprego no governo do presidente cessante Jair Bolsonaro (PL).

É nesse cenário que o ex-presidente Lula (PT) busca votos ao propor a obrigatoriedade da redução em juros para os inadimplentes.

– Nós vamos mudar essa situação. Nós vamos negociar essa dívida. Vamos obrigar os credores a baixar as taxas de juros, a tirar todo o penduricalho, para que a gente possa tirar as famílias brasileiras do Serasa, e não ficar com o nome sujo nesse país, sem poder comprar mais nada – disse o petista, ao abrir essa frente na campanha que aparentemente “pertencia” ao adversário Ciro Gomes (PDT).

Para Lula, o pobre é bom pagador. “O pobre, ele tem vergonha de passar na frente da padaria quando ele está devendo o pão do dia anterior. Então, nós vamos cuidar disso com carinho”, prometeu.

Economia

Além do crescimento no número de dívidas, aumentou também o índice de inadimplentes, com 29,6%, que representa o maior da série histórica desde 2010. Os dados são de uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A alta de devedores foi de 1 ponto percentual em agosto ante julho, enquanto, em um ano, o avanço foi de 6,1 pontos.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, considera as dívidas no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa.

Com Bolsonaro, a carestia no país atinge tanto famílias com rendimentos de até 10 salários mínimos quanto as de maior renda. Mas, ainda assim, os que recebem menos estão mais inadimplentes e, consequentemente, endividados.

Conforme a Peic, famílias com renda de até 10 salários mínimos apresentaram aceleração de endividamento em agosto 1,1 ponto percentual e de famílias com maior renda, de 0,9 ponto.

Alta na inadimplência

No mês de julho, 63 milhões de brasileiros e brasileiras não conseguiram pagar suas contas e entraram para a lista de inadimplentes negativados.

No mês de agosto, houve uma segunda alta de contas atrasadas, mesmo com a injeção extra de renda às famílias, como os saques do FGTS e antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS.

Conforme a CNC, a proporção de famílias com atraso em contas ou dívidas avançou 0,6 ponto percentual no mês e 4 pontos em um ano. Do total de inadimplentes, 10,8% afirmaram que não terão condições de pagar contas já atrasadas e permanecerão na inadimplência.

“A alta do volume de famílias com contas atrasadas deu-se nas duas faixas de renda pesquisadas, mas foi maior entre as famílias de menor renda. Isso mostra os desafios que esses consumidores seguem enfrentando na gestão mensal de seus orçamentos”, afirma Izis Ferreira.

Carnês e homens mais endividados

Nos últimos quatro meses, o endividamento nos carnês subiu 1,8 ponto percentual dentro desse público, alcançando 19,8%. E, dessa vez, o endividamento entre os homens superou o das mulheres: 19,5%, contra 18,8%, respectivamente.

Com os juros nas alturas, o povo faz dívidas com carnês, que subiu enquanto as dívidas no cartão de créditos caíram (3,2 pontos percentuais).

De acordo com o presidente da CNC, José Roberto Tadros, “as famílias estão buscando alternativas de crédito mais baratas por conta da elevação dos juros, e o cartão de crédito foi o tipo de dívida com a segunda maior alta dos juros médios em um ano até junho, 17 pontos percentuais, segundo dados do Banco Central”.

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