Guerra na Ucrânia: mísseis russos atingiram o porto de Odesa horas após acordo de exportação de grãos

Apenas doze horas depois que Moscou assinou um acordo com a Ucrânia para permitir exportações monitoradas de grãos dos portos do sul da Ucrânia, a Rússia atacou o principal porto da Ucrânia de Odesa – através do qual os embarques de grãos ocorreriam – com ataques de mísseis de cruzeiro.

O inimigo atacou o porto de comércio marítimo de Odesa com mísseis de cruzeiro Kalibr, escreveu o Comando Operacional Sul no aplicativo Telegram, levantando novas dúvidas sobre a viabilidade do acordo que pretendia liberar cerca de 20 milhões de toneladas de grãos para combater a fome em grande parte do mundo em desenvolvimento.

Em um dos maiores ataques à cidade desde o início da guerra, os ataques aéreos sacudiram prédios no centro da cidade e enviaram uma nuvem de fumaça que era visível por toda a cidade.

Na orla marítima de Odesa, os banhistas aplaudiram quando as defesas aéreas da cidade derrubaram dois dos quatro mísseis, com os dois restantes atingindo o porto. 

O ataque a Odesa foi um de uma série de ataques russos na Ucrânia, com a cidade de Kropyvnytsky sendo atingida por 13 mísseis na manhã de sábado.

Os novos ataques ocorreram horas depois que Moscou e Kiev assinaram acordos com as Nações Unidas e a Turquia, que pretendiam evitar uma crise alimentar global. 

Os acordos abrem caminho para o embarque de milhões de toneladas de grãos ucranianos e algumas exportações russas de grãos e fertilizantes retidos pela guerra.

O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, disse em seu discurso noturno em vídeo que os acordos oferecem “uma chance de evitar uma catástrofe global – uma fome que pode levar ao caos político em muitos países do mundo, em particular nos países que nos ajudam”.

Apesar do progresso nessa frente, a luta continuou inabalável no coração industrial de Donbas, no leste da Ucrânia, onde as forças russas tentaram obter novos ganhos diante da forte resistência ucraniana.

As tropas russas também enfrentaram contra-ataques ucranianos, mas mantiveram sua posição na região de Kherson, ao norte da Península da Crimeia, que a Rússia anexou em 2014.

Moscou negou a responsabilidade pela crise, culpando as sanções por desacelerar suas próprias exportações de alimentos e fertilizantes e a Ucrânia pela mineração nas proximidades de seus portos no Mar Negro.

Altos funcionários da ONU, informando repórteres na sexta-feira, disseram que o acordo deve estar totalmente operacional em algumas semanas e restaurará os embarques de grãos dos três portos reabertos para níveis pré-guerra de 5 milhões de toneladas por mês.

The Guardian