Diretores eleitos destituídos comovem comunidade escolar no PR

Governo do Paraná destitui diretores eleitos de escola e choca comunidade escolar do País [vídeo]

Comunidade Escolar do Colégio Estadual Professora Edimar Wright luta pela restituição da direção escolar

A comunidade escolar do Colégio Estadual Professora Edimar Wright, em Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba, no Paraná, foi surpreendida nesta terça-feira (23/5) com a destituição da diretora e do vice-diretor da escola, autorizada pelo secretário de Estadual da Educação, Roni Miranda. A notícia foi recebida com consternação e indignação por parte da equipe diretiva, que classifica a decisão como incoerente, irresponsável e antidemocrática.

Em um comunicado oficial, a diretora expressou sua gratidão aos colegas diretores e professores que sempre estiveram ao seu lado nessa jornada desafiadora, especialmente no que diz respeito ao cumprimento das metas estabelecidas pela Secretaria de Educação. É importante ressaltar que não foram encontradas irregularidades administrativas ou financeiras na instituição de ensino, o que torna a destituição ainda mais questionável.

A diretora fez um apelo à comunidade escolar para que divulgue os verdadeiros motivos que levaram à sua destituição, especialmente em relação ao índice de frequência, destacando que o Colégio Edimar está longe de ser considerado uma das piores escolas. Segundo ela, nenhum erro grave foi cometido e nenhuma prática criminosa ou irregularidade ocorreu que justificasse tal medida.

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A solidariedade e o apoio dos colegas de profissão foram agradecidos pela diretora, que reconhece a importância de manter a união diante dessa situação desafiadora. Ela deseja boa sorte a todos em suas jornadas individuais, cientes de que os desafios enfrentados no campo educacional não são fáceis.

A comunidade escolar do Colégio Estadual Professora Edimar Wright está determinada a esclarecer os motivos reais por trás da destituição da diretoria e buscar justiça nesse processo. A união e o compromisso com uma educação de qualidade são os pilares fundamentais que guiarão seus esforços para reverter essa situação injusta.

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É importante destacar que hoje foram destituídos esses dois diretores. No entanto, fica a pergunta: quem será o próximo?

Assista o vídeo:

Em um emocionado vídeo, a direitora e o vice-diretor do Colégio disseram o que segue:

“Olá, pessoal. Sou a diretora do Colégio Estadual Professora Edimar Wright em Almirante Tamandaré. Acabei de receber a informação de forma oficial. Encontrei um documento no protocolo que acabei de compartilhar com vocês. Infelizmente, nosso secretário Roni Miranda autorizou a destituição injusta da direção e da direção auxiliar da escola. Estamos consternados com essa decisão incoerente, irresponsável e antidemocrática.

Gostaria de agradecer a todos os colegas diretores e professores que sempre estiveram ao nosso lado nessa jornada e sabem o quanto é desafiador alcançar as metas propostas pela Secretaria de Educação. Vale ressaltar que não foram encontradas irregularidades administrativas ou financeiras na nossa instituição. Continuaremos unidos como professores e seguiremos adiante.

Cleusa, peço a vocês que, se possível, divulguem para seus colegas professores e nas suas escolas os verdadeiros motivos que levaram à nossa destituição. Os motivos apresentados naquela resolução são absurdos, especialmente em relação ao índice de frequência. É importante esclarecer que o Colégio Edimar não é, nem de longe, a pior escola. Não cometemos erros graves e muito menos praticamos qualquer tipo de crime ou irregularidade que justificasse essa medida.

Agradeço a todos pelo apoio e solidariedade. Um grande abraço e boa sorte em suas jornadas, colegas, pois sabemos que não é fácil.”

Crítica ao modelo neoliberal nas escolas públicas do Paraná: transformando educação em negócio

A destituição injusta da diretora e do vice-diretor do Colégio Estadual Professora Edimar Wright, em Almirante Tamandaré, é mais um triste exemplo dos efeitos nocivos do modelo neoliberal que tem sido adotado nas escolas da rede pública do Paraná. Esse modelo, que enxerga a educação como um negócio, transforma a gestão escolar em uma corrida incessante por metas e resultados, desconsiderando o valor essencial da formação integral dos alunos.

A imposição de metas como critério principal para a permanência de diretores nas escolas é um reflexo dessa abordagem neoliberal. A Resolução publicada pela Secretaria de Educação do Paraná em 2021, condicionando a permanência do(a) diretor(a) a determinadas metas, mostra uma preocupação excessiva com números e estatísticas, em detrimento do real propósito da educação.

Ao tratar a escola como uma empresa, onde o sucesso é medido apenas por indicadores quantitativos, negligencia-se a importância da formação humana, da valorização dos profissionais da educação e do acolhimento dos alunos. A educação vai além de resultados pontuais em avaliações padronizadas, devendo ser pautada pela construção de conhecimento, pela formação crítica e cidadã dos estudantes.

Esse modelo de gestão baseado em metas cria um ambiente de competição desenfreada, no qual diretores e professores são pressionados a atingir objetivos pré-determinados, muitas vezes distantes da realidade das escolas e das comunidades que atendem. A priorização dos números em detrimento da qualidade do ensino compromete o desenvolvimento integral dos alunos e a formação de cidadãos conscientes e participativos.

A educação não pode ser reduzida a indicadores de desempenho e resultados financeiros. É preciso resgatar o caráter humano da escola, valorizando o trabalho dos profissionais da educação e garantindo a participação democrática da comunidade escolar nas decisões. A gestão autoritária e arbitrária, baseada em metas frias e impessoais, não contribui para a construção de uma educação de qualidade e inclusiva.

A destituição da diretora e do vice-diretor do Colégio Estadual Professora Edimar Wright é um exemplo trágico das consequências desse modelo neoliberal. Esses profissionais dedicados, que buscavam promover um ambiente acolhedor e de excelência na escola, foram afastados sem diálogo e sem justificativas consistentes. É preciso repensar esse sistema que coloca em risco a estabilidade e a qualidade da educação pública.

A comunidade escolar do Colégio Estadual Professora Edimar Wright, assim como tantas outras escolas que enfrentam situações similares, merece um modelo de gestão que valorize a participação coletiva, que reconheça o trabalho dos profissionais e que priorize o desenvolvimento integral dos alunos. É necessário romper com a lógica neoliberal que transforma a educação em um negócio lucrativo, resgatando a essência da escola como espaço de formação, diálogo e construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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