Globo e Folha “esquecem” o genocídio de Bolsonaro para salvar a “Pauta Guedes”

A concertação entre a velha mídia e o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), avalizado pelo Centrão, pode ser medida pela manchete do Globo neste domingo (26): “Ninguém aguenta briga todo dia”. A frase foi atribuída ao ministro das Comunicações, Fábio Faria, mas também poderia ser escrita pelo editorialista dos Marinho, que recentemente propunha uma frente até com o “Coiso”.

No vocabulário da Globo, Folha, Veja, Estadão, etc., não existe mais espaço para o verbete “Genocídio” na acusação contra Bolsonaro porque –como anotou o ex-ministro Roberto Amaral, colunista do Blog do Esmael– o objetivo é, com o salvamento do presidente, salvar a “Pauta Guedes”. Ou seja, preservar os privilégios dos bancos e especuladores que seguem faturando alto com a pandemia de coronavírus.

Para que a história não esqueça, nós fomos à Wikipédia para buscar uma explicação para a palavra “genocídio” –verbete agora proibido nas redações dos jornalões.

“Genocídio é o extermínio deliberado de pessoas motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e, por vezes, sociopolíticas (ver: engenharia social).”

Ainda de acordo com a Wikipédia, o objetivo final do genocídio é o extermínio de todos os indivíduos integrantes de um mesmo grupo humano específico. No caso específico, na pandemia, as vítimas têm sido os pretos e os pobres.

“Existe controvérsia entre vários estudiosos, quanto ao fato de se designar ou não como genocídio os assassinatos em massa por motivos políticos. O genocídio é um tipo de limpeza étnica”, pondera a página.

Há duas semanas, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o Exército Brasileiro estaria se associando a um genocídio, ao se reportar à maneira como o presidente Jair Bolsonaro se comporta frente à pandemia do novo coronavírus. Como resposta, o Ministério da Defesa pediu abertura de um inquérito contra o magistrado com base na Lei de Segurança Nacional (LSN), um entulho da ditadura que já faz ‘hora extra’ no âmbito do Estado Democrático de Direito.

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Quanto à velha mídia, que passa o pano para Bolsonaro, ora, está cuidando de seus próprios interesses econômicos. Que se dane o povo brasileiro, pois.

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Bolsonaro teme os efeitos de uma derrota de Trump na eleição brasileira de 2022

Daqui a 100 dias o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reencontrará com as urnas e terá como adversário Joe Biden. O democrata lidera as pesquisas de opinião e isso obrigou o atual presidente republicano, que sonha com a reeleição, a render-se até ao uso da máscara contra a infecção pelo novo coronavírus.

Essa é parte mais “fofinha” da notícia para o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido). Apelidado de “Capitão Cloroquina”, devido a propaganda que faz da droga não prescrita para a Covid-19, ele teme os efeitos de uma derrota de Trump, em novembro, na sua eleição daqui a dois anos.

A eleição de Donald Trump na disputa de 2016 também não foi nada fácil. Na época ele concorreu com Hillary Clinton –a quem chamava de “Hillary Trapaceira”– e venceu graças ao emprego de muita fake news e disseminação de ódio sobretudo contra os imigrantes latinos.

Os analistas americanos encaram a eleição presidencial de novembro como um plebiscito haja vista ser um pleito bastante polarizado, mas com vantagem para o oposicionista Biden.

Uma derrota de Trump significará uma derrota estratégica para Bolsonaro porque esse resultado negativo deixará o “Capitão Cloroquina” isolado do resto do mundo e, consequentemente, poderá, também, antecipar sua queda em 2022.

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Na prática, se Trump perder a eleição em novembro poder-se-á afirmar que acabou o governo Bolsonaro. Esse impressão é possível porque há uma relação umbilical forjada por ambos nos casos confirmados de coronavírus e milhares de mortes provocadas pelo negacionismo mútuo, omissão e agravamento da miséria causada pela pandemia nos respectivos países.