Em palestra, Esmael Morais projeta 2026 tenso para economia e democracia

Da Redação – O jornalista e advogado Esmael Morais afirmou que a eleição presidencial de 2026 será decisiva para definir se o Brasil seguirá aprofundando direitos sociais ou se entregará o orçamento público à agenda da Faria Lima, com ataque direto ao salário mínimo, às aposentadorias e aos sindicatos. A avaliação foi feita em palestra sobre perspectivas políticas e econômicas, nesta sexta 28 de novembro de 2025, no encontro estadual da UGT-PR em Foz do Iguaçu.

Diante de uma plateia majoritariamente formada por dirigentes sindicais e com forte presença de mulheres, Esmael lembrou que sua trajetória nasceu no Fora Collor e se consolidou no movimento sindical e popular. Ele contou que o site que edita há 16 anos, o Blog do Esmael, surgiu como contraponto à “ditadura da opinião única” da velha mídia e da narrativa liberal da Faria Lima.

Esmael ressaltou que o Blog é um instrumento colocado a serviço dos trabalhadores e das trabalhadoras, aberto para denunciar abusos, defender a democracia e pautar o debate econômico sob a ótica de quem vive de salário, e não de juros. “O outro lado faz pesquisa todo dia, tem dados e estratégia. Se a classe trabalhadora não se organizar e não tiver informação, fica dando salto no escuro”, afirmou, ao elogiar a pesquisa encomendada pela UGT-PR à Paraná Pesquisas sobre o mundo do trabalho.

Ao tratar de 2026, Esmael advertiu que o projeto da direita e da Faria Lima vai além da disputa de narrativas. Segundo ele, se esse campo vencer a eleição presidencial, uma das prioridades será desindexar o salário mínimo, as aposentadorias e as pensões, desmontando uma das principais âncoras de proteção da renda no Brasil. “Se hoje já está ruim, pode piorar muito mais”, alertou, apontando que a precarização das relações de trabalho segue como objetivo central das elites econômicas.

O palestrante lembrou que a grande mídia já vem preparando terreno para essa agenda, com programas que romantizam a informalidade e a precarização. Ele citou a defesa de modelos sem proteção trabalhista, apresentada em programas de variedades, como exemplo de como a ofensiva contra a CLT é disfarçada de modernidade. “O resto é perfumaria. O debate central é emprego, salário, jornada e proteção social”, resumiu.

Esmael fez críticas à condução econômica governo Lula (PT), especialmente na política de juros altos. Ele avaliou que, em nome de uma defesa da democracia, parte do campo progressista tolerou uma taxa Selic estrangulando produção, consumo e investimento, enquanto o sistema financeiro seguiu especulando sem ser incomodado. “Democracia é fundamental, mas não pode ser desculpa para ignorar a sobrevivência material da classe trabalhadora”, disse.

Na análise do blogueiro, a disputa política e a disputa econômica são a mesma coisa, porque o que está em jogo é o orçamento público. Ele lembrou que mais de metade do orçamento da União é tragada pelo serviço da dívida, por juros e amortizações nunca plenamente auditados, enquanto saúde e educação recebem frações muito menores. “A Faria Lima capturou o Congresso, o Senado e boa parte das assembleias. Sem mudar a qualidade do Parlamento, não há como mudar o destino do orçamento”, afirmou.

Esmael defendeu que trabalhadoras e trabalhadores assumam o protagonismo na disputa institucional, elegendo deputados federais, estaduais, vereadores e prefeitos comprometidos com a pauta do mundo do trabalho. Para ele, só quem conhece a dor de enfrentar jornadas extenuantes, salários apertados e assédio no chão de fábrica ou no balcão do comércio pode representar com autenticidade a classe trabalhadora no Parlamento.

Ao abordar o tabuleiro eleitoral, Esmael relatou bastidores recentes que acompanhou em Brasília, incluindo a repercussão da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e as articulações em torno de uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), à Presidência da República em 2026. Segundo ele, parte da própria direita recebeu com alívio o encarceramento de Bolsonaro, enxergando na sua saída de cena a oportunidade de antecipar um “plano Tarcísio” com palanques organizados em estados-chave como São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Esmael avaliou que, se o desenho defendido pela direita prosperar, a eleição de 2026 tende a ser um Fla-Flu entre Lula e Tarcísio, com possibilidade real de definição no primeiro turno, como apontou mais cedo o presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, na mesma plenária. Nessa hipótese, uma eventual derrota apertada da direita poderia reacender tentações golpistas.

O jornalista lembrou que a história política brasileira é marcada por golpes e tentativas de ruptura, da Proclamação da República de 1889 ao golpe de 1964, passando pela derrubada de Dilma Rousseff em 2016 e pela tentativa recente de questionar o resultado das urnas em 2022. Ele recordou que a estratégia de deslegitimar eleições, ensaiada por Aécio Neves em 2014, foi exportada para outros países e reaplicada no Brasil pela extrema direita bolsonarista.

Na leitura de Esmael, o Supremo Tribunal Federal e as instituições não podem ser vistos como substitutos da mobilização popular. Ele afirmou que, se o sistema de justiça estivesse realmente alinhado com os interesses da classe trabalhadora, o julgamento de Bolsonaro teria ocorrido em outro momento, e não de forma a abrir espaço para reorganização da direita em torno de Tarcísio. “Não é o gabinete de ministro que vai garantir a democracia. É povo organizado, sindicato forte, movimento social na rua e voto consciente em 2026”, insistiu.

O palestrante descreveu também as disputas internas no Centrão e em partidos como União Brasil e PP, citando resistências à eventual candidatura do senador Sergio Moro (União) e a busca desesperada por legendas e arranjos que preservem fundo partidário, tempo de TV e privilégios regionais. Para Esmael, essas brigas expõem que a prioridade dessas siglas não é um projeto de país, mas a preservação de espaços de poder e negócios.

Ao final, Esmael Morais afirmou que Lula entra como favorito em 2026 por ocupar a Presidência, ter recuperado parte do prestígio internacional do Brasil e reaberto canais de diálogo com sindicatos e movimentos sociais. Mas advertiu que isso não significa vitória garantida. “A direita vem com muita raiva e com muito dinheiro. Se o movimento sindical e a classe trabalhadora ficarem em casa, dormindo, eles passam o trator”, disse.

Como conclusão, Esmael chamou a UGT-PR e o movimento sindical a assumirem um projeto de poder explícito, que dispute orçamento, impeça a captura total do Estado pelo sistema financeiro e proteja o salário mínimo, as aposentadorias, os serviços públicos e a liberdade sindical. “Ou a classe trabalhadora disputa o rumo do país, ou a Faria Lima decide por ela”, resumiu, sob aplausos.

O Blog do Esmael seguirá acompanhando cada passo da preparação para 2026, das negociações no Congresso à base real no mundo do trabalho.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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