Direita tenta isolar Lula em 2026, aponta análise da Paraná Pesquisas

Blog do Esmael, direto de Foz do Iguaçu (PR) – O presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, afirmou que setores da direita ensandecida articulam um plano para isolar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2026. A avaliação foi feita em palestra no encontro estadual da UGT-PR, em Foz do Iguaçu, acompanhada pelo Blog do Esmael.

Hidalgo afirmou que, se o candidato da oposição for o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a direita tentará montar um cinturão partidário semelhante ao que isolou Jair Bolsonaro (PL) na eleição passada. A diferença, segundo ele, é que o alvo agora seria o próprio Lula.

Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde iniciou esta semana o cumprimento da pena de 27 anos e três meses pela tentativa de golpe de Estado.

A chave dessa operação da direita seria a adesão de partidos como PSD e MDB a uma candidatura Tarcísio. Hidalgo lembrou que, segundo declarações recentes do comando do PSD, o partido só embarcaria numa disputa nacional se o governador paulista entrar no jogo. O MDB, pelas contas do pesquisador, também tenderia a caminhar com Tarcísio, caso a direita decida marchar unida.

Hidalgo avaliou que esse alinhamento ampliaria a pressão sobre o Palácio do Planalto e criaria um cenário de isolamento político semelhante ao enfrentado por Bolsonaro em 2022.

O presidente da Paraná Pesquisas afirmou ainda que a eleição presidencial de 2026 pode ser decidida no primeiro turno. Para ele, a polarização Lula x Tarcísio reduziria drasticamente o espaço para outras candidaturas. Segundo Hidalgo, há uma margem de apenas 6% que define a movimentação do eleitorado brasileiro.

“Podemos ter um placar de 52% a 48% ou 53% a 47%, dependendo de como o Brasil vai chegar lá na frente”, disse.

Ao discutir mapa eleitoral, Hidalgo projetou uma mudança importante no comportamento regional. Ele vê possibilidade de Lula crescer no Sul em relação à eleição de 2022, especialmente no Paraná e em Santa Catarina, onde o desgaste da direita tradicional avança.

O alerta, contudo, vem do Nordeste. Hidalgo afirmou que Lula perdeu tração na região, principalmente no Ceará e na Bahia, estados que podem ter candidaturas fortes da oposição em 2026. Ele citou diretamente o nome de Ciro Gomes (PSDB), provável candidato ao governo do Ceará, e o de ACM Neto (União), que deve tentar novamente assumir o governo baiano.

A leitura do pesquisador é que candidaturas competitivas nesses estados podem puxar votos para o campo conservador e reduzir o desempenho lulista no Nordeste, que foi decisivo em 2022.

Diante da plateia de dirigentes sindicais, Hidalgo também advertiu para a força de uma narrativa ainda não explorada: saúde, segurança pública e economia. Segundo ele, esses três eixos devem dominar o debate eleitoral e influenciar a oscilação dos 6% decisivos.

A palestra, longa e detalhada, reforçou um ponto central: a eleição de 2026 deve ser uma das mais imprevisíveis desde a redemocratização, com alta tensão política e movimentos bruscos do eleitorado.

O Blog do Esmael segue acompanhando, de Foz do Iguaçu a Brasília, os bastidores da sucessão presidencial.

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