Requião Filho 'Me chama que eu vou'

Das bizarrices e absurdos do cotidiano brasileiro, por Requião Filho

Por Requião Filho*

Em um estado democrático de direito, que deveria ser pautado pelo princípio da dignidade da pessoa humana, a manutenção da vida seria a premissa básica.

Desvios, denúncias, escândalos… afinal, o que te choca?

São tantos absurdos que presenciamos em nosso cotidiano, que vivemos um momento de anestesia geral. Talvez estejamos vivendo num universo paralelo, num pesadelo e, logo mais, acordaremos em um mundo melhor. Mas será que esses dias torturantes não deixarão traumas e marcas na sociedade?

Cenas grotescas dia a dia são protagonizadas por aqueles que deveriam nos proteger e, no momento em que pensamos em que tudo será solucionado, não só não se resolve, como também parece que, em um transe coletivo, muitos as aplaudem e comemoram. Políticos, advogados, promotores, juízes, policiais, que em sua base de formação juraram cumprir a Constituição Federal a atropelam para fazer valer a barbárie. Triste realidade a nossa!!!!

Do que estou falando? Poderia citar inúmeros exemplos, desde as absurdas conduções coercitivas descabidas protagonizadas na midiática e agora enterrada Operação Lava Jato, o negacionismo científico, a insistente prática de crime contra a saúde pública até chegarmos nas comemorações pela morte do popularmente conhecido serial killer do DF.

Leia também

Não me venham dizer que choro aqui a morte de um assassino, não é nada disso e todos devemos parar com este tipo de distorção. As pessoas não devem ser rotuladas e apontadas como extremistas, se discordam de determinadas situações. As diferenças devem ser aceitas e aplaudidas, afinal vivemos em uma democracia. Mas aceitar a mentira e a desinformação, isso nunca!

O que lamento é a morte das instituições democráticas, do estado de direito, dos direitos e garantias dos indivíduos, das minhas e das suas garantias. Do nosso direito básico à vida, à saúde. De sabermos como e quando o governo gasta o nosso dinheiro. E pergunto a vocês; Qual o fundamento jurídico para a comemoração pela morte de Lázaro Barboza das forças de segurança? Vocês sabem o preço do minuto de um sobrevoo de helicóptero? Além deste triste episódio, quais os gastos com carreatas, motociatas, passeios marítimos e quantos mais desvaneios, em plena pandemia, o erário está arcando?

Enquanto isto, discursos extremistas e sem nenhuma relação com a realidade vão se espalhando e tornando seres humanos mais próximos de zumbis irracionais. Às vezes sinto que nos aproximamos das realidades distópicas, antes só presentes em livros, filmes e séries de TV. Lamento! Choro aqui pelo triste destino dos brasileiros, mergulhados em um mar de mortes e escândalos, paralisados em meio a tudo isso, esperando talvez um dia acordar dessa maluquice toda.

*Requião Filho, advogado, é deputado estadual pelo MDB do Paraná.